Diretor da Petrobras (PETR4): taxar exportações de petróleo é caminho ‘fácil e terrível’

O diretor de comercialização e logística da Petrobras (PETR4), Cláudio Mastella, classificou a proposta recente de taxar as exportações de petróleo como “fácil, mas com efeito terrível”. A declaração do executivo foi feita em evento online da agência Epbr, patrocinado pela estatal.

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“É uma solução fácil de curto prazo, mas terrível. É muito ruim para o segmento todo”, disse o executivo da Petrobras.

A fala ocorre após a decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que adiou para o dia 30 de novembro o debate de um Projeto de Lei (PL) que estabelece um imposto de exportação sobre o óleo bruto, o que afeta diretamente o negócio da Petrobras.

O PL em tramitação cria um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis, baseando-se na alta recente do preço da gasolina nos postos.

Na próxima terça (23), os ministros da Economia, Paulo Guedes, e de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, falarão da alta do preço dos combustíveis e do gás de cozinha em audiência pública no Senado. O presidente da Petrobras, o General Joaquim Silva e Luna, também estará na audiência para comentar sobre o assunto.

Ainda nesta quarta (17) o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e os diretores da estatal se reuniram para discutir o tema.

Na webinar da Epbr, a diretora do departamento de Combustíveis do MME, Marisa Barros, taxou a discussão como “incoerente”, no mesmo tom de Mastella.

Mastella, da Petrobras, participou de evento online na noite de quarta-feira (17) - Foto: Reprodução/YouTube/epbr
Mastella, da Petrobras, participou de evento online na noite de quarta-feira (17) – Foto: Reprodução/YouTube/epbr

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Marisa ponderou que o PL vai de encontro ao esforço de atração de investimento para o segmento de petróleo, e afirmou que o fundo de estabilização até pode conter algumas oscilações, mas não foi feito “para lidar com a situação que estamos vivendo”, referindo-se aos preços elevados.

“No Brasil, os preços são livres, definidos pelos agentes econômicos. Os fundamentos estão na Lei de Petróleo e da liberdade econômica. Não há tabelamento ou autorização prévia do governo para reajustes dos preços dos combustíveis”, comentou.

Mastella defende política de preços da Petrobras

Além da fala sobre o PL da gasolina, Mastella defendeu a atual política de preços da estatal, baseada no preço de paridade de importação, ou PPI.

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“No mercado de petróleo e derivados, a competição é global. Não adianta imaginar que o Brasil é isolado do mundo”, disse, acrescentando que os preços “precisam ser realistas”.

O diretor da estatal também argumentou que o mercado brasileiro depende hoje das importações de derivados, o que justifica a alteração do preço doméstico do combustível com base nas oscilações da cotação do petróleo.

Segundo Mastella, caso os preços domésticos se descolem do cenário internacional, o país poderia sofrer com desabastecimento.

“O segundo efeito é desestimular atividade de refino. Com o tempo isso significa menos investimento e mais sucateamento das refinarias e mais importação a médio e longo prazos”, afirmou o executivo da Petrobras.

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Eduardo Vargas

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