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Portugal corta subsídios à empresa de Cristiano Ronaldo por falta de investimentos

Portugal corta subsídios à empresa de Cristiano Ronaldo por falta de investimentos
Cristiano Ronaldo. Foto: Reprodução Instagram

Cenouras indigestas para Cristiano Ronaldo. O governo de Portugal decidiu cortar os subsídios públicos para uma de suas empresas por falta de investimentos.

A 52-Fresh, empresa de produção de minicenouras onde Cristiano Ronaldo é acionista, tinha prometido investir quase 50 milhões de euros (cerca de R$ 300 milhões) e criar 183 empregos.

Entretanto, a empresa sediada em Almeirim, cerca de 100 quilómetros a nordeste de Lisboa, investiu apenas 30 mil euros no projeto.

Com isso, o Ministro da Economia e Transição Digital de Portugal, Pedro Gramaxo de Carvalho Siza Vieira, e o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Jorge Nogueira Leite Brilhante Dias, decidiram romper o contrato.

Entenda o caso da empresa participada por Cristiano Ronaldo

A 52-Fresh, fundada em 2017, é controlada por 100% pela empresa luxemburguesa Fresh-52 Sarl.

Cristiano Ronaldo ingressou na empresa através da sua empresa também sediada no Luxemburgo, a Crs Holding, posteriormente transferida para Portugal com o nome de CR7 SA.

Ao lado do atacante da Juventus, Luís Miguel Grosso Correia, neto de Jorge Mendes, cartola histórico de Ronaldo, também apostou na Fresh-52.

Os outros acionistas são o ex-banqueiro Bertrand Facon (ex-diretor administrativo do Credit Suisse First Boston), Kevin Seth, gerente do Fundo Edgewood dos Estados Unidos e o libanês Fady Lahame, ex-banqueiro do Credit Suisse agora chefe da Macquire Capital France.

O primeiro acionista da empresa de minicenouras é Yannick Emmanuel René Marie Le Mintier De La Motte-Basse, nascido em 1965 em Ouagadougou, Burkina Faso, e residente em Suwanee, Geórgia, Estados Unidos.

Le Mintier era o diretor-presidente (CEO) e da empresa californiana Bolthouse Farms, produtora de sucos de frutas e minicenouras prontas para consumo que são vendidas em sacolas nos supermercados e apreciadas como lanches saudáveis.

No dia 4 de julho de 2019 o governo português tinha concedido subsídios para a empresa, cortados através de um decreto publicado no Diário da República, o Diário Oficial de Portugal.

“Foram atribuídos incentivos financeiros ao projeto 52-Fresh no âmbito do regime especial do Sistema de Incentivos à Inovação e Empreendedorismo das Empresas. Face aos incentivos concedidos, a 52-Fresh assumiu, entre outras coisas, a obrigação de realizar, entre 1 de janeiro de 2019 e 31 de dezembro de 2020, um investimento de cerca de 49,8 milhões de euros para a execução do projeto. No entanto, uma vez esgotado o período de investimento fixado contratualmente durante meses, a 52-Fresh não apresentou, até à data, quaisquer despesas relativas à construção e equipamentos da unidade industrial, tendo apenas apresentado – para demonstrar o alegado início do projeto – uma nota fiscal, no valor de cerca de 30 mil euros, relativa ao pedido de um modelo da linha de produção prevista”, aparece no Diário da República de Portugal.

Com disso, segundo o governo de Lisboa, “a 52-Fresh não realizou o projeto nos termos e condições definidos em contrato”.

A empresa de Cristiano Ronaldo tinha pedido a prorrogação dos prazos, invocando casos de força maior como a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), que teria atrasado a obtenção da licença para a construção da fábrica de Almeirim.

Entretanto, segundo o governo, a 52-Fresh não foi capaz de demonstrar que os atrasos foram devidos à pandemia.

“Na verdade, os atrasos começaram muito antes de a situação pandémica ser declarada e são principalmente atribuíveis ao própria 52-Fresh, que, apesar da complexidade do processo e da insistência dos pedidos por parte do governo, só em outubro de 2019 apresentou o pedido, ou seja, 10 meses após o início do prazo fixado para a execução do projeto de investimento”, aparece no Diário da República.

O governo acusa ainda a 52-Fresh de nunca ter demonstrado a existência de meios financeiros adequados para sustentar o projeto, e sequer “ter realizado aumentos de capital e pagamentos adicionais previstos no contrato”.

Minicenouras indigestas

Quando foi fundada, a empresa tinha um capital social de apenas um euro (em Portugal isso é possível) e só em 30 de maio de 2019 o tinha aumentado esse montante para 300 mil euros.

Agora que os incentivos públicos foram cancelados, não está claro qual será o destino do projeto que tinha como projeção um faturamento de 35 milhões de euros, dos quais 34,8 milhões relativos à exportação de minicenouras para Alemanha, França, Itália , Reino Unido e Suécia.

Obviamente, mesmo com esse problema, o patrimônio de Cristiano Ronaldo não será afetado dramaticamente.

O jogador possui muitos outros negócios milionários em todo o mundo, e a maioria deles teve mais sorte do que a 52-Fresh.

As minicenouras foram amargas e indigestas, mas os negócios relacionados ao nome Cristiano Ronaldo estão indo muito bem, obrigado.

Carlo Cauti

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