Pedro Signorelli

O segredo da gestão atual é planejar e agir em ciclos curtos

O gestor deve se orientar pelo impacto causado pelas ações e reajustar a rota quando necessário

O conceito do Mundo Bani foi criado pelo antropólogo e futurista norte-americano, Jamais Cascio, em 2018, ou seja, antes da pandemia.

Ele considerou que o outro acrônimo, ou sigla, como preferirem, a VUCA –  Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity ou Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, adotada a partir dos anos 1980 para relatar os imprevistos e a rapidez com que as mudanças ocorriam no mercado, já não representava o mundo, diante de mudanças tão velozes que vinham sendo vivenciadas.

A pandemia da Covid-19 só fez demonstrar o quanto Cascio estava certo. Tudo mudou de novo e rapidamente.

Nada na história da humanidade foi semelhante ao que estamos vivendo hoje, mesmo que já tenhamos tido, pelo menos, outras cinco pandemias, peste bubônica ou peste negra, no século 14; varíola, que perseguiu a humanidade por mais de 3.000 anos; cólera em 1817; gripe espanhola, em 1918 e, mais recentemente, em 2009  a gripe suína, a primeira pandemia do Século 21, que até poderia ter sido mais semelhante ao momento atual, mas não foi, porque ela não resultou numa quarentena mundial.

O fato é que nada exigiu tantas mudanças quanto agora.

Para os gestores das empresas, o nível de incertezas é notadamente muito maior do que em anos anteriores e este cenário é agravado pelo fato de que, na maior parte dos casos, os sistemas de gestão das companhias ainda são condizentes com um período em que as mudanças aconteciam de maneira mais lenta.

Os planos de negócio que as organizações estão acostumadas a criar, estão carregados de premissas e suposições quanto às variáveis de mercado.

Assim, quanto maior o grau de incertezas no ambiente de negócios, ou seja de desconhecimento do comportamento das variáveis, maior o risco do não cumprimento das metas estabelecidas. Esta situação é uma fragilidade grave para as organizações. É quase impossível gerir numa velocidade inferior à velocidade das mudanças e esperar bons resultados.

Neste sentido, a incorporação do OKR – Objectives and Key Results ou Objetivos e Resultados Chave – no sistema de gestão das empresas é um antídoto para a fragilidade dos sistemas atuais na medida em que orienta a empresa a trabalhar por resultados em ciclos curtos.

Esse é o segredo do mercado agora é do que está por vir: planejar e agir em ciclos curtos, orientando-se pelo impacto causado pelas ações e reajustando a rota quando necessário.

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