Pedro Signorelli

Desafios da gestão: você gerencia pelo amor ou pela dor?

Bom gestor é aquele que consegue manter um equilíbrio entre amor e dor, tendo a noção de que a diferença entre os dois pode estar em uma linha tênue.

“As pessoas não deixam as empresas, deixam seus líderes”. Quantas vezes não vimos esta frase por aí nas redes sociais? O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, em seu emblemático livro “O Príncipe”, afirmava que para um governante era melhor ser temido do que amado, assim ele poderia manter e expandir seu poder. Será que estamos colhendo os frutos desta filosofia quase 500 anos depois?

Fato é que alguns gestores acreditam que manter uma postura mais fria e distante pode ser uma boa forma de agir, já que estão em posições altas na hierarquia da empresa e essa é uma forma de preservar seu poder e, no fim, de se preservar. Porém, a tendência é de que tal atitude leve a uma relação mais áspera com os colaboradores, o que deve tornar a convivência mais difícil e, consequentemente, que não gera engajamento, impactando o desempenho individual dos colaboradores e do time, limitando o alcance dos resultados

Por outro lado, precisamos deixar claro que, se alguém tem um comportamento mais firme, não significa que quer o mal dos outros – pode ser apenas uma característica do perfil dessa pessoa. Além disso, é normal que, na correria da rotina, às vezes surja alguma fala considerada grosseira, mas pode acontecer com qualquer um que esteja tendo problemas no trabalho ou simplesmente um dia ruim. Não justifica, mas é fato.

Visto isso, um bom gestor não é aquele que necessariamente escolhe o amor ou a dor para gerenciar a empresa, pois essa escolha poderia levar a caminhos extremos, que não funcionariam para o crescimento e a evolução do time. O bom gestor é aquele que consegue manter um equilíbrio entre amor e dor, tendo a noção de que a diferença entre os dois pode estar em uma linha tênue.

Um artigo da Harvard Business Review traz uma provocação que não só eu concordo bastante, como foi uma das grandes descobertas e que me fez mudar o rumo da minha carreira. Em vez de lidar com punição ou simplesmente um bônus lá na frente, é preciso entender que “não existe mais forte motivação para os colaboradores do que entender que o trabalho deles importa e é relevante para alguém ou algo além de uma linha no balanço financeiro”. O amor seria para a tratativa com os colaboradores, que quanto mais se sentirem em um ambiente de trabalho seguro e perceberem que podem confiar em você e na sua liderança, melhor.

Os OKRs – Objectives and Key Results – Objetivos e Resultados Chave – são uma ferramenta moderna de gestão, que ajudam a trazer o melhor e incorporam vários princípios fundamentais para um bom desempenho de pessoas, times e organizações. A primeira razão para isso é que é característica do OKR envolver todo o time no processo de construção das metas prioritárias, além de dar transparência para a direção da companhia como um todo. Isso gera muito engajamento, se bem feito.

Outro ponto importante, e que também é premissa do OKR, são os ajustes constantes nos rumos da empresa, sem que isso possa indicar, ou parecer, para cada membro do time, que a companhia esteja quebrando, como se costuma dizer. Não, todos entendem que as mudanças fazem parte do processo e servem para ajustar algum caminho escolhido e que não esteja dando o resultado esperado.

Vamos pensar no cenário atual: guerra, saída – ou quase – de uma pandemia que abalou o mundo inteiro, preço do barril do petróleo nas alturas, Brasil de volta ao mapa da fome da ONU e vários outros fatores que demonstram a necessidade de adaptação, em todos os sentidos. Mas aqui me concentro na gestão, que não pode ser só pela dor, e também não dá para ser somente pelo amor, porém, certamente será melhor, se adotar ferramentas modernas de gestão que lhe permitem ajustes constantes, sem que isso cause o desconforto e surpresa na equipe.

Nota

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