Camila Nasser

Falta clima no mercado de capitais

Mais da metade dos investimentos em climate tech entre 2015-2020 foram destinados a esse mercado, uma participação desproporcional frente a outras indústrias em que o impacto ambiental é bastante superior.

Quando nos deparamos com a tragédia no Rio Grande do Sul, é válida a reflexão sobre como podemos mitigar ou até mesmo evitar novas tragédias climáticas por meio de uma maior exposição de negócios de impacto ambiental ao mercado de capitais.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2024/06/Lead-Magnet-1420x240-3.png

Apesar de estarmos vivenciando uma crescente de negócios voltados ao desenvolvimento de soluções sustentáveis focadas em impulsionar uma economia verde, com baixa emissão de carbono e mitigar impactos das mudanças climáticas, a destinação de recursos às tais climate techs é ainda baixa.

Globalmente, os investimentos no setor atingiram cerca de US$ 70,1 bilhões em 2022, mas retrocederam 30% no ano passado, o que já é sinal de alerta. Na América Latina, a exposição desses ativos ao mercado de capitais ainda é irrisória.

Startups climáticas. Gráfico: Flow Partners Climate Tech Report

Atualmente, a principal categoria de negócios associada a investimentos sustentáveis é a de veículos elétricos: o setor de transportes representa 16,2% da emissão de gases de efeito estufa, de acordo com um levantamento da KPMG. Apesar disso, mais da metade dos investimentos em climate tech entre 2015-2020 foram destinados a esse mercado, uma participação desproporcional frente a outras indústrias em que o impacto ambiental é bastante superior.

De acordo com Jamil Wyne, fundador do Climate Tech Bootcamp, isso acontece graças ao viés da familiaridade, que nos torna mais propensos a investir em negócios que temos maior facilidade em compreender.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/03/Ebook-Acoes-Desktop.jpg

Enquanto a maior parte dos investimentos climáticos é destinada a tecnologias familiares (como os veículos elétricos), apenas 7,5% dos investimentos entre 2019 e 2020 foram para startups que ajudam a sociedade a se preparar para os impactos das mudanças climáticas. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, há uma escassez de até US$ 366 bilhões para projetos que poderiam ajudar a sociedade a se adaptar ao novo mundo.

Desde 2010, o número global de climate tech mais do que quadruplicou. Se acreditamos no potencial do mercado de capitais de desenvolvimento econômico e social do país, e também na necessidade urgente de adaptação da sociedade para as mudanças climáticas, que afetam principalmente populações e países de maior vulnerabilidade social, é o momento de nossa carteira de investimentos traduzir essas crenças.

*Camila Nasser é cofundadora e CEO do Kria, que é uma das principais plataformas de investimento em startups. A executiva iniciou sua carreira profissional no universo financeiro no Kria, como estagiária, ainda na época de faculdade. Ao longo dos anos, assumiu importantes cargos de liderança, como Head de Marketing e Chefe de Operações. No final de 2020, foi convidada para se tornar CEO da fintech. Camila é graduada em comunicação pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

Camila Nasser
Mais dos Colunistas
Caio Palma Estratégia de gestão: Top down vs Bottom up, qual a melhor para você?

Imagine um cenário em que uma pessoa que desde o nascimento está inserida em ambiente urbano e passa a considerar a ideia de morar na floresta. Em um primeiro momento ...

Caio Palma
Tiago Ferreira Alternativos sempre, diversificação também

É sabido que o cenário global aponta para um período de taxas de juros mais elevadas, possivelmente mais prolongado do que estava previsto. Adicionalmente, o forte des...

Tiago Ferreira

Compartilhe sua opinião