Luiz Gustavo

Por que muitas startups estão virando fintechs

Com modelos de negócio estabelecidos e uma gama considerável de clientes que confiam em seus produtos ou serviços, as fintechs conhecem seu público melhor que ninguém, inclusive mais que os bancos tradicionais

Com as novas facilidades criadas pelos bancos digitais e a modernização do sistema bancário tradicional, faz sentido uma empresa de tecnologia que trabalha, por exemplo, com vestuário, alimentos, beleza ou que oferece serviços específicos para trabalhadores de aplicativo, investir em soluções financeiras para seus clientes?

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Por mais estranho que possa parecer a princípio, a resposta é SIM!

E o motivo que tem levado muitas startups, dos mais variados segmentos, a virar fintechs por tabela – lucrando com isso – está no simples fato de que, ao já ter seus modelos de negócio estabelecidos e uma gama considerável de clientes que confiam em seus produtos ou serviços, elas conhecem seu público melhor que ninguém, inclusive os bancos tradicionais. E, assim, estão percebendo que podem oferecer diferenciais, em termos de facilidades financeiras, que vão suprir as necessidades e até superar as expectativas dos clientes, agregando valor à atividade inicialmente exercida.

Se uma empresa que vende eletrodomésticos passa a oferecer opções de parcelamento, pagamento por PIX, cartão de crédito exclusivo e até consórcio, consegue aumentar as vendas, reter melhor seus clientes e ainda ver o faturamento subir com a receita financeira dessas operações. Quando os consumidores têm a opção de adquirir, em um site ou aplicativo, os itens que necessitam com vantagens financeiras oferecidas pelo próprio fornecedor, enxergam nisso um grande diferencial, o que os estimula a comprar mais e faz dessas pessoas clientes fiéis e satisfeitos.

Percebendo que agora já não basta oferecer tecnologia e inovação, mas é preciso incluir no pacote o plus da tecnologia financeira, muitas startups vêm se tornando fintechs pelo fator oportunidade. No nosso negócio, por exemplo, que é voltado a motoristas e entregadores de aplicativo, percebemos que essa categoria, apesar de estar em plena expansão, conta ainda com pouquíssimas ofertas de produtos financeiros específicos capazes de ajudar os profissionais a entender seus fluxos e a organizar receitas e despesas.

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Isso nos abriu a oportunidade de criar recursos específicos para esse público: uma conta digital dentro da nossa plataforma, com a qual nossos usuários conseguem receber e guardar de forma segura pagamentos via PIX e contarão, em breve, com um cartão de crédito pré-pago para viabilizar as compras sem comprometer o orçamento.

Pesa em favor das empresas de tecnologia que querem incluir serviços financeiros ao seu escopo de atividade o fato de não ser necessário adquirir uma empresa financeira ou criar uma estrutura pesada para conseguir fornecer esse tipo de serviço. Hoje já existem modelos como o Bank as a Service (BaaS) que permitem às startups “construir” um banco e todos os sistemas que envolvem esse processo sob demanda, oferecendo os produtos e serviços financeiros que mais têm a ver com o perfil dos clientes. Isso sem precisar investir em desenvolvimento ou burocracias legislativas. E o mais interessante é que, algumas vezes, essas soluções de fintech acabam tendo uma rentabilidade até melhor do que o modelo de negócio original.

Por isso, em um cenário de curto ou médio prazo, é possível prever que uma parte considerável da receita de quase todas as empresas virá de serviços financeiros. Como prega Angela Strange, uma das mais influentes gestoras de venture capital do Vale do Silício, mais cedo ou mais tarde, “toda empresa será uma fintech”.

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Nota

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Luiz Gustavo
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