João Canhada

O mercado cripto é para todos

Uma pesquisa da ConsenSys, conduzida pela YouGov, apresentou insights sobre o comportamento dos brasileiros em relação às criptomoedas e suas tecnologias adjacentes. Mas não contempla uma realidade mais extensa

Às vezes, eu me pego pensando como a história é feita, sabe? O que é relevante e quanto tempo é preciso para que algo seja considerado importante o suficiente para ganhar o selo “histórico”. Talvez, para a maioria dos historiadores – se não todos – dez ou 20 anos são “ontem” na história da humanidade. O que faz muito sentido!

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Mas, na nossa vida, o que é histórico?

Lá atrás, quando a gente começou, o intuito era alimentar o mercado da criptoeconomia com eficiência única, mas a vontade de ir além e retribuir pra comunidade sempre foi grande.

Em pouco tempo a Foxbit ganhou liderança nacional, e hoje, oito anos depois, segue sendo uma das principais exchanges do país. Além de uma plataforma de negociação com mais de 80 ativos digitais atualmente e diversos pares de trocas, temos hoje várias soluções tecnológicas para o mercado cripto.

O que nunca mudou em nossa própria história: a crença de que o mercado de cripto é para todos. E sem educação e conhecimento, as pessoas podem ter suas escolhas limitadas ou baseadas em opiniões, não em informações. Por isso, ensinar e mostrar todos os lados desta tecnologia sempre foram os pilares principais da nossa atuação.

Desculpe se me empolguei na descrição! Mas, considerando que eu, assim como tantos outros, fiz parte do início do cenário de criptomoedas no Brasil mais de uma década atrás, dar dois passinhos para fora deste universo para tirar uma foto e olhar como está a situação do nosso país dentro da tecnologia é de se admirar.

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Comportamento criptográfico

Uma pesquisa da ConsenSys, conduzida pela YouGov, apresentou insights sobre o comportamento dos brasileiros em relação às criptomoedas e suas tecnologias adjacentes. O levantamento, entretanto, contou com 1.005 entrevistados, o que capta parte do sentimento das pessoas, mas não contempla uma realidade mais extensa. Mesmo assim, o documento apresenta dados valiosos sobre essa interação.

Logo de cara, chama a atenção o conhecimento geral em relação a essa classe de ativos. Afinal, incríveis 98% dos participantes da pesquisa disseram já ter ouvido falar sobre criptomoedas. Este volume é relativamente acima da média global, que está em 92%.

Dessa galera toda: 59% disseram saber do que se trata a tecnologia; 39% conhecem, mas não tem muita certeza se entendem o conceito, e apenas 2% nunca ouviram falar sobre cripto.

Em relação à posse, 17% das pessoas têm algum tipo de moeda digital atualmente em suas carteiras, enquanto 24% compraram, mas já se desfizeram de seus ativos.

Embora todos esses dados sejam muito interessantes, o motivacional para a participação dessas pessoas é extremamente valioso. A pesquisa apontou que 25% eram curiosos sobre a tecnologia e buscaram a “educação na prática”. Enquanto isso, 13% eram especuladores em busca de retornos financeiros de curto prazo, e outros 13% foram motivados pela diversificação de portfólio.

Mais legal ainda é que a maior parte tende a continuar participando do mercado cripto. 13% “definitivamente” vão investir novamente e 33% “provavelmente” investirão. Na outra ponta, 24% “provavelmente” não farão novos aportes, enquanto 15% tem certeza de que nunca mais participarão deste mercado. 16% ficaram em cima do muro.

O que talvez não seja uma novidade é a popularidade das criptos. Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), claro, estão disparadas, com 72% e 42% de citações, respectivamente.

Esses números fazem muito sentido, porém, para um entusiasta da tecnologia e não apenas dessas duas criptomoedas, fica aquele gostinho de “poxa, poderia ser diferente”. Mas tudo bem! Não podemos exigir que um cenário tecnológico relativamente complexo como este e com a presença de mais de 20 mil tokens esteja tão difundido assim.

Mesmo assim, os conceitos adjacentes, como Web3, Metaverso e NFTs até que mostram um bom conhecimento das pessoas em relação à tecnologia como um todo.

A cereja do bolo – ou melhor, a luz de alerta – vem para os motivos pelos quais os participantes ainda não estão tão presentes neste mercado como gostariam.

32% dos entrevistados identificaram que a complexidade da tecnologia é um impeditivo. Aqui pode estar desde os próprios conceitos criptográficos até mesmo dificuldades de acesso às plataformas. Já 50% se veem distantes, pois sequer sabem por onde começar.

Como se sente?

Muito além do comportamento, a percepção das pessoas em relação às criptomoedas tem se mostrado bastante positiva. 21% associam essa classe de ativos como o futuro do dinheiro, enquanto 15% à propriedade digital, e 10% como uma alternativa ao ecossistema financeiro tradicional. 7% mostram mais receios, ligando a tecnologia a crimes de lavagem de dinheiro ou especulação.

Os possíveis medos que envolvem o sentimento das pessoas em relação ao setor criptográfico levaram 48% dos entrevistados a defenderem uma regulação forte à indústria como uma garantia de que os mercados tradicionais sejam desestabilizados. Os 32% restantes disseram que devem haver regras específicas que incentivem uma participação responsável e gerem uma proteção aos investidores.

Que foto, amigos!

Aquele clichê de que “na minha época, tudo isso aqui era mato” pode ser que se encaixe. De fato, o mercado cripto era completamente diferente antigamente. Tudo era feito em comunidades virtuais generalistas, com nenhum ambiente específico para a discussão ou plataformas intuitivas como atualmente.

Regras? Forget it! Sem regulamentação, partia do bom senso dos participantes a criação de regras – muitas vezes pautadas no próprio mercado tradicional – para manter a “legalidade” e bom fluxo dos negócios.

Hoje, não só temos uma regulamentação criptográfica específica – que ainda precisa se expandir –, como o Brasil é um dos primeiros a dar esse passo. Muito além disso, conseguimos também dar início ao projeto piloto do Real Digital, que a Foxbit também faz parte! Enquanto isso, muitos países grandes ainda engatinham na discussão.

Por isso, olhar para esses dados atualmente é como olhar para aquela área cheia de mato e ver uma cidade desenvolvida. O mercado de criptomoedas cresceu. E muito se engana quem pensa que isso se resume aos investidores. Soluções corporativas também deram um salto absurdo, com meios de pagamento, propriedade via NFT, Web3, entre tantas outras.

A realidade é que, há mais de uma década, a educação ainda é relevante e não pode ser interrompida. Talvez, dez anos não seja um tempo histórico suficiente para ensinar tudo sobre este mercado.

Pode ser, inclusive, que essa história nunca termine. Por isso, é preciso fazer mais para que as pessoas sejam incluídas de verdade – ou tenham o direito de escolha – em uma das tecnologias mais democráticas dos últimos anos.

Isso não quer dizer que as criptomoedas não sejam históricas, mas, talvez, elas estejam contando a nossa história, enquanto estamos de mãos dadas com elas.

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Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

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