Eduardo Cavalheiro

Ouse e opte pelo simples na hora de avaliar empresas para investir

Identifique uma empresa bem gerida com estratégias de crescimento bem definidas

Ao longo dos anos tenho observado a evolução das metodologias de análise fundamentalista de empresas com fins de investimentos em ações. Me preocupa o grau de complexidade que se agrega a algo que devia ser mais simples. No final das contas, quem investe em ações para o longo prazo (5 anos) quer identificar uma empresa bem gerida, com estratégias de crescimento bem definidas e que poderão ter suas ações valorizadas em 200%, 300%, 500%.

No mundo real vemos que isso é possível, acontece, mas alguém já recebeu um relatório de análise sinalizando potencial de ganhos dessas magnitudes? O padrão é sinalizar um preço alvo para o final do ano corrente com potencial de valorização entre 20% e 30%. Quando vira o calendário, renova-se outro potencial de 20% ou 30%. Porque não sinalizar um objetivo para os próximos 5 anos?

As vezes tenho a impressão de que muitos estão usando técnicas de avaliação de Fusões e Aquisições ou de “Deals” pontuais para avaliar empresas da bolsa.

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Acho que tem que ser diferente. Para investir em ações no longo prazo deve-se fazer um esforço para imaginar como determinada empresa vai estar posicionada em 4 ou 5 anos. Sem menosprezar a avaliação (valuation), o exercício de imaginação vem em primeiro lugar, baseado em uma intensiva análise e investigações de caráter qualitativo. Definida a imagem já devemos saber se vamos comprar ou vender e partimos para a avaliação para termos os parâmetros em números.

No “valuation” observo um certo engessamento dos modelos e pouca ousadia na definição de premissas, o que causa muitas vezes o descarte de oportunidades. Todos sabemos da importância do “g” (growth) em um modelo de avaliação por fluxo de caixa descontado (FCD): na minha opinião é onde ocorrem os maiores equívocos de um “valuation”. Já vi modelos onde a companhia cresce nos primeiros anos a um ritmo de 15%/20% nos primeiros anos e na perpetuidade atribui-se um crescimento (g) de 2%. Apesar de possível, essa situação é estranha e identificaria que essa empresa terá algum tipo de problema na sua perpetuidade e assim não investiria nas suas ações.

Ouso fazer algumas sugestões:

  1. Sempre optar pelo simples.
  2. Colocar mais tempo no qualitativo, pois é ele que vai “contar” como aquela empresa vai estar no longo prazo.
  3. No momento do valuation a primeira sugestão é para adaptar a metodologia de avaliação para cada empresa – as empresas são diferentes, as avaliações têm que ser diferentes.
  4. Caso opte pelo Fluxo de Caixa Descontado (FCD), seja ousado, principalmente na definição do “g”, para não desperdiçar oportunidades.

Eduardo Cavalheiro

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