Andressa Siqueira

Resgate tudo e espere a poeira baixar. Será?

O mercado é implacável. Aja impulsivamente e você estará colocando seu patrimônio a perder

Tempestade de incertezas, é como podemos classificar o cenário atual para os investimentos. Podemos contar com o conflito entre Rússia e Ucrânia, os novos casos de Covid -19 na China, piora nas cadeias de produção e a possibilidade de uma estagflação (estagnação combinada com inflação alta) para dar uma apimentada nos riscos.

“O melhor a se fazer agora é resgatar tudo e esperar a poeira baixar”, esse foi o maior pensamento dos investidores mais inexperientes no começo da pandemia, quando o circuit breaker foi acionado 6x em um intervalo de 8 pregões. Mas já te adianto que este não é o melhor caminho.

O pensamento é completamente justificável, já que quando os ativos de risco começam a cair, em especial as ações, não dá para saber quando atingirão o fundo do poço. No entanto, o mercado é implacável. Aja impulsivamente e você estará colocando seu patrimônio a perder. Resgate tudo, e se as ações retomarem o movimento de alta você perdeu uma oportunidade.

No gráfico simples abaixo, fica claro que o Ibovespa (barras azuis) mesmo passando por crises severas depois consegue se recuperar.

Claro, ainda não dá para saber o que vai acontecer nas próximas cenas. E é complicado demais identificar o melhor momento para investir, principalmente depois de tantas turbulências seguidas, caso do ano de 2022.

A parte boa é que existe uma forma de conseguir com que o mercado fique mais a seu favor. Construa uma carteira diversificada, escolha por ativos anticíclicos para compor seu portfólio, tenha uma parcela em investimentos mais resilientes, mantenha uma reserva de segurança adequada, mantenha ativos de renda fixa mais seguros, compre ETFs e diversifique geograficamente.

O mercado de investimentos local normalmente é puxado por commodities e juros. Escolha ativos que o exponham a essas categorias, invista em ações associadas às necessidades humanas, como alimentação, serviços públicos e similares.

Os mercados em baixa são bem incômodos, eu sei disso, mas portfólios bem construídos sofrem menos. Abaixo você consegue ver o drawdown de alguns exemplos. Ele indica o quão estável ou instável é determinado ativo ou composição – ou seja, ajuda a mensurar os riscos de cada exemplo. É interessante colocar essa avaliação em prática para montar uma carteira sólida, diversificada e com maiores chances de ter resultados positivos no futuro.

Com isso, note que o portfólio que chamei de “Diversificado” coloquei arbitrariamente uma proporção de 30% de Ibovespa, 30% de S&P500 e 40% de Selic. Consegue ter quedas de menor intensidade e tem menos risco frente a um investimento composto só por Selic + Ibovespa, e até mesmo contra apenas o Ibovespa.

Nesta altura, o investidor ansioso poderia concluir que investir apenas em S&P 500 já seria o suficiente para ter um bom portfólio. Porém, ao concluir isto, estaria ignorando que muitas vezes uma carteira concentrada em apenas um tipo de investimento pode performar bem no mercado de alta, mas as carteiras que não contam com diversificação são bem mais frágeis e estão propensas a quedas mais profundas.

Em ritmo de conclusão: para conseguir se dar bem, defina seus objetivos, trace suas metas, diversifique seu portfólio de maneira adequada e personalizada, depois siga à risca. Certifique-se de que seu portfólio está assumindo a quantidade certa de risco.

Tenha em mente que quem vende seus ativos de risco em um momento de baixa está limitando as perdas, mas perde a possibilidade de que seu portfólio pegue a onda de recuperação do mercado.

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

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