BRF (BRFS3), Minerva (BEEF3) e ações do setor: gripe aviária e preço baixo de exportação acendem alerta de analistas do BBA

O aumento dos casos de gripe aviária na indústria avícola dos Estados Unidos, os preços de exportação mais baixos e o declínio em vendas no setor de proteína ascenderam um alerta aos analistas do Itaú BBA, que avaliam, em relatório, tendências para as empresas BRF (BRFS3), Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) neste trimestre.

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Segundo os estrategistas, a JBS e a Minerva Foods mantêm-se em posição mais favorável. No caso da JBS, preocupações surgem com o aumento de casos de gripe aviária nos EUA, afetando a produção de aves e levantando incertezas sobre a rentabilidade da divisão de carne bovina no país. Por outro lado, diz o banco, a Minerva Foods enfrenta pressão devido a preços de exportação mais baixos, mas tem benefícios potenciais com a redução nos custos de gado e a possibilidade de ampliar as exportações para a China.

O desempenho da BRF é destacado pelo BBA pelo seu primeiro trimestre de 2024, apesar da queda nos preços de exportação de aves e do aumento dos custos de grãos. Com forte exposição ao mercado halal, a empresa pode continuar a ter performance sólida, especialmente com a queda nos preços de milho e soja.

Já a Marfrig, embora tenha enfrentado pressão nas margens em comparação com outras empresas do setor nos EUA, demonstrou uma resiliência notável em seu desempenho, analisam os especialistas. Com uma plataforma premium que pode superar os concorrentes nos próximos trimestres, a Marfrig permanece como uma escolha interessante no mercado de proteínas, segundo o BBA.

As quatro empresas têm preço-alvo dos papéis estabelecidos pelo banco. A JBS pode chegar a R$ 31, ante o atual de R$ 21,25. Os analistas projetam R$ 11 para as ações da Minerva e da BRF – que fecharam esta sexta em R$ 6,62 e R$ 16, respectivamente. A estimativa para a Marfrig é de R$ 10 (ante os R$ 10,26 atuais).

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JBS (JBSS3) ou Minerva (BEEF3)? Goldman Sachs analisa preço-alvo das ações

O Goldman Sachs aumentou em 11% o preço-alvo das ações da JBS (JBSS3), estabelecido em R$ 32,4, e reduziu o preço-alvo da Minerva Foods (BEEF3) para R$ 8 por ação, representando uma queda de 13% em relação ao valor anterior. Os resultados do quarto trimestre de 2023 (4T23) de ambas as empresas foram o fator decisivo para a recomendação do banco de investimentos.

As ações da JBS fecharam em alta de 2,1%, cotada a R$ 21,43, nesta quinta (4). Os papéis da Minerva caíram 0,74%, a R$ 6,71.

O analista Thiago Bortoluci pontua que tanto a JBS como a Minerva Foods enfrentam desafios significativos, incluindo questões relacionadas à demanda global, volatilidade cambial e competição no mercado internacional.

Enquanto a JBS recebeu dos analistas um aumento no preço-alvo e estabilidade nas estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a Minerva Foods enfrenta uma redução no preço-alvo devido a preços de exportação mais fracos.

A estabilidade das estimativas para o Ebitda da JBS em 2024/25, apesar de desafios no segmento de US Beef, compensados por melhorias na divisão Seara, foi ressaltada no relatório do banco. Para o estrategista, entre os riscos identificados estão questões relacionadas à execução da dupla listagem nos Estados Unidos e a possível desaceleração da demanda global por proteína.

O que pesa para a Minerva Foods, diz o relatório do Goldman Sachs, é a diminuição nas estimativas de Ebitda para este e o próximo ano devido a preços de exportação mais fracos do que o esperado, especialmente no Brasil. Os riscos identificados incluem desafios na integração dos ativos da Marfrig, possíveis embargos e interferências que possam afetar o fluxo regular das exportações, além da volatilidade cambial e política na Argentina.

Entenda o surto de gripe aviária nos Estados Unidos

Um aumento de casos de gripe aviária nos Estados Unidos, resultando no abate de cerca de 80 milhões de aves nos últimos dois anos, está agora afetando vacas leiteiras. Isso causou uma parada temporária na produção de leite e levou alguns Estados a impor restrições à movimentação de animais através das fronteiras entre Estados.

Há receios de que a doença possa se espalhar para o gado de corte, prejudicando potencialmente a demanda por carne bovina. Para combater isso, pecuaristas estão adotando medidas preventivas, como aquelas usadas na indústria avícola para afastar aves selvagens que são conhecidas por transmitir a doença.

Segundo informações do Dow Jones Newswires, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) relatou recentemente casos de gripe aviária em rebanhos leiteiros em vários estados. Embora nenhum animal tenha morrido devido à doença, o risco para a saúde humana ainda é baixo. No entanto, a situação já afeta, além dos mercados de aves, agora também o de gado, com os preços futuros caindo na Chicago Mercantile Exchange (CME) e temores de impacto na demanda por carne bovina ou restrições às exportações.

Até o momento, nenhum país impôs restrições à carne bovina ou a produtos lácteos dos EUA devido à gripe aviária. Analistas acreditam que a doença não afetará significativamente a demanda dos consumidores, como foi o caso com o consumo de frango ou ovos. Quanto à segurança do leite comercial, os produtos pasteurizados nas prateleiras das lojas são considerados seguros para consumo humano.

O USDA ainda está investigando a transmissão da doença entre vacas, mas acredita-se que as infecções estejam ligadas a aves selvagens. A Associação Nacional de Pecuaristas dos EUA está recomendando medidas de precaução, como a limitação do trânsito de animais e a quarentena de novos rebanhos introduzidos.

BRF: XP mantém empresa como top pick após balanço do 4T23

Em relatório após a divulgação dos resultados do 4T23 da BRF, a XP (XPBR31) destacou que a companhia registrou um resultado sólido no período, com sinais positivos em todas as linhas, reforçando o nome da empresa como ‘top pick’ do setor.

Conforme balanço trimestral divulgado em 26 de fevfereiro, a BRF registrou um lucro líquido de R$ 754 milhões no quarto trimestre de 2023 (4T23). O resultado da BRF mostra uma reversão do prejuízo líquido de R$ 956 milhões registrado no quarto trimestre de 2022, ou seja, mesmo período do ano anterior.

No relatório, a XP esperava que a demanda no mercado doméstico sustentasse a recuperação da margem da BRF, que foi entregue juntamente com melhores perspectivas de fluxo de caixa em estoques mais baixos e resultados financeiros de caixa sequencialmente melhores (quase R$ 200 milhões na comparação trimestral).

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Murilo Melo

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