Quanto custa substituir Buffett? Berkshire aceita pagar caro pela sucessão
A virada do ano marcou mais do que a troca do calendário na Berkshire Hathaway. Em 31 de dezembro, o conglomerado definiu o valor que está disposto a pagar pela sucessão de Warren Buffett e fixou em US$ 25 milhões por ano o salário de Greg Abel, executivo que assumiu oficialmente o comando da companhia em 1º de janeiro.
O ajuste foi formalizado em documento enviado à Securities and Exchange Commission e entrou em vigor no mesmo dia em que Abel passou a ocupar a cadeira de CEO. O número chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pelo simbolismo. Ele ajuda a dimensionar quanto a Berkshire atribui em valor à continuidade do modelo construído por Buffett ao longo de mais de cinco décadas.
Antes da promoção, Abel era vice-presidente responsável pelas operações fora do segmento de seguros. Em 2024, sua remuneração já havia alcançado US$ 21 milhões, além de US$ 17.250 em outras compensações. A elevação para US$ 25 milhões representa um passo adicional em um processo que vinha sendo preparado há anos e que agora se materializa em cifras.
O valor da confiança de Buffett
A decisão da Berkshire não ocorreu no vácuo. Warren Buffett vinha sinalizando publicamente sua confiança no sucessor muito antes da mudança oficial. Em entrevista concedida à CNBC em maio, o investidor foi direto ao justificar a escolha.
“Eu preferiria que Greg Abel administrasse meu dinheiro do que qualquer outro CEO ou assessor de investimentos nos Estados Unidos”, afirmou Buffett.
A fala ajuda a entender por que a companhia aceitou ancorar a sucessão em um pacote de remuneração elevado. O valor pago a Abel não reflete apenas a função executiva, mas o peso de preservar uma cultura de alocação de capital que se tornou referência global.
O contraste que define a transição
O novo salário também escancara um contraste histórico dentro da Berkshire. Em 2024, Buffett manteve um salário anual de US$ 100 mil, além de US$ 305.111 em outras compensações, segundo os registros regulatórios. A diferença entre fundador e sucessor não indica ruptura de filosofia, mas sim a transição para um novo contexto de governança, escala e complexidade operacional.
Hoje, a Berkshire reúne negócios em seguros, energia, ferrovias, indústria e consumo, além de um dos maiores portfólios de participações do mundo. Para o investidor, o recado é objetivo. A empresa está disposta a pagar caro para reduzir o risco de execução no pós Buffett.
Continuidade tem preço e cobrança
Ao fixar em US$ 25 milhões o custo anual de sua principal decisão de governança, a Berkshire transforma a sucessão em um dado concreto para análise. O mercado agora passa a observar se o valor atribuído a Abel se traduzirá em disciplina de capital, preservação de retornos e manutenção do modelo que tornou a holding um dos ativos mais respeitados do mundo.
Na prática, o número não é apenas salário. É o preço que a Berkshire aceita pagar para atravessar a virada de uma era.