BBB: Prêmio de R$ 1,5 milhão vale hoje cerca de 50% menos do que em 2010

BBB: Prêmio de R$ 1,5 milhão vale hoje cerca de 50% menos do que em 2010
Foto: Reprodução Facebook

Nesta terça-feira (4), terminou a 21ª temporada do BBB, ou Big Brother Brasil, provavelmente o programa de maior sucesso da televisão brasileira. A vencedora, a maquiadora Juliette Freire, receberá em sua conta o prêmio de R$ 1,5 milhão – nominalmente, a mesma quantia que Marcelo Dourado recebeu quando ganhou na décima edição do reality show, em 2010. Mas, na verdade, hoje quem vence o BBB ganha bem menos do que há 11 anos atrás.

O prêmio do BBB está desvalorizado, principalmente, por conta do avanço da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação oficial de preços do país, acumula cerca 85% no período. Para que Juliette hoje tivesse o mesmo poder de compra de Dourado, ela deveria ganhar cerca R$ 2,8 milhões, com o prêmio corrigido pela IPCA.

“O poder de compra da quantia, após o IPCA avançar, é bem menor do que naquela época. O Dourado recebeu muito mais dinheiro, de forma proporcional, quando se compara o seu prêmio ao da atual vencedora”, explica Maurício Godoi, professor da Saint Paul Escola de Negócios.

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Apesar dos dois prêmios serem nominalmente iguais, Juliete com seu R$ 1,5 milhão hoje consegue, de acordo com o índice, o mesmo que o campeão do BBB 10 conseguia comprar com R$ 810 mil na época em que venceu. Em poder de compra, o prêmio atual é igual cerca de 46% menor do que o de 2010.

Outro ponto que, para o professor, deve-se analisar é a equiparação do real ao dólar nos dois momentos. “Quando levamos em conta o valor de câmbio, o dólar, na época de Dourado custava R$ 1,80. Era um prêmio de US$ 833,3 mil. Hoje, com o dólar a R$ 5,40, a Juliette levou apenas US$ 252 mil”, diz.

Ou seja, se a vencedora quisesse usar o dinheiro para viver um tempo no exterior, ou fazer uma grande compra em dólar, suas possibilidades seriam bem mais limitadas.

Inflação come prêmio do BBB

Para André Massaro, professor de finanças da B3 e consultor, por fins dramáticos e teatrais do BBB, é importante que o número do prêmio seja redondo e impactante. No entanto, o processo inflacionário durante esse tempo foi expressivo. “Passamos por um pico na época do governo Dilma Rousseff agora estamos vivendo outro”, afirma

Apenas nos últimos 12 meses, o IBGE viu a cesta de produtos levada em conta na avaliação da inflação – que acompanha preço de alimentos, vestuário, transportes, moradia e diversos outros itens – ficar 6,10% mais cara. O prêmio que a vencedora Thelma Assis levou para casa em 2020 é cerca de 6,10% maior do que o de Juliette.

 

Com os vários pacotes de estímulos econômicos, a inflação está acelerada em boa parte do mundo. Os governos estão estimulando as economias para que as pessoas continuem comprando, ao mesmo tempo em que a produção, por conta da pandemia e das medidas de restrições, foi impactada. Com mais dinheiro circulando e menos produtos, mais desvalorizadas ficam as moedas.

No Brasil, o Banco Central começou a aumentar a taxa de juros para evitar que a moeda continue a se desvalorizar. Isso pode ajudar o próximo campeão do BBB a preservar um pouco mais o seu capital. Ainda nesta quarta-feira (5), a instituição aumentou a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais, para 3,5% ao ano.

“Quando se aumenta a taxa de juros, espera-se que a pressão inflacionária diminua um pouco e a desvalorização cambial também. A questão é que tivemos um corte de juros muito abrupto por conta da pandemia e agora esse retorno pode não ser suficiente para controlar a alta dos preços”, explica Massaro.

“O ideal é que a pessoa vencedora, para conseguir fugir da inflação, busque os investimentos que protegem o dinheiro um pouco melhor do avanço dos preços. Títulos indexados à inflação ou fundos de títulos são boas opções. Ir um pouco para a renda variável também, porque ações, notoriamente, têm proteção contra a alta dos preços, ainda que parcial e sujeita a riscos”, diz Massaro.

Se tivesse deixado prêmio na poupança, Dourado teria valorização de 12%

Maurício Godoi explica que, se Marcelo Dourado tivesse optado por deixar todo o seu dinheiro na poupança em 2010, hoje teria R$ 3,1 milhões, um ganho real de 12% sobre o avanço da inflação, uma vez que o poder de compra de R$ 1,5 milhão em 2010 é alcançado agora apenas com R$ 2,8 milhões.

Para os dois especialistas, porém, o importante é que a vencedora do Big Brother Brasil tenha recebido educação financeira. Neste sentindo, já há, inclusive, uma lista de vencedores do reality que perderam tudo após o grande prêmio.

Rodrigo Cowboy, vencedor em 2002, gastou com apartamentos para as filhas e hoje trabalha como corretor. Cida, do BBB 4, viu seu prêmio se esvair ao ser fiadora de um imóvel, e emprestando dinheiro para conhecidos. Maximiliano, da nona edição, gastou tudo em viagens e hoje vive como artista plástico.

Existem estudos, segundo o professor André Massaro, que comprovam que há padrões para essa má gestão. “Não é opinião, é fato. O primeiro comportamento ruim é que as pessoas saem gastando. Há também a impressão de que a ‘fonte não seca’, de que o dinheiro continuará a vir de forma fácil. Mas as coisas não assim, as carreiras costumam ser curtas e são poucas as que conseguem manter suas carreiras por muito tempo”, explica.

“Celebridades, como são os vencedores de um Big Brother ou artistas e esportistas, acabam tendo padrões que as levam a situações financeiras ruins. São notórios os casos de famosos que têm dificuldade de gerir o próprio dinheiro”, finaliza Massaro.

Para uma boa gestão, Juliette, a atual campeã do BBB, terá, então, de entender um pouco mais de investimentos.

Vitor Azevedo

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