B3 (B3SA3): renda fixa “usada” dispara 40%; entenda esse mercado

A renda fixa não vive só de comprar um título e esperar até o vencimento. Existe também um mercado em que esses papéis trocam de mãos depois de emitidos, quase como uma “revenda” de títulos. E esse pedaço menos conhecido do mercado cresceu forte na B3 (B3SA3) no primeiro semestre de 2026.

O volume de registros de negócios de títulos privados no Trademate, sistema de negociação eletrônica de ativos de renda fixa da B3, avançou 40% no período. O montante passou de R$ 569 bilhões, em junho de 2025, para R$ 797 bilhões, em junho de 2026.

Na prática, o dado mostra o crescimento do mercado secundário de títulos privados. Ou seja, não se trata da emissão inicial de um papel, mas das negociações feitas depois, quando investidores compram e vendem ativos já existentes.

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Entram nessa conta produtos como CRI, CRA, debêntures e cotas de fundos fechados. São instrumentos usados por empresas, fundos e setores como infraestrutura, agronegócio e mercado imobiliário para captar recursos fora do crédito bancário tradicional.

O que é o Trademate da B3?

O Trademate é uma plataforma eletrônica da B3 (B3SA3) voltada à negociação de ativos de renda fixa. Em vez de as transações dependerem apenas de contatos diretos entre instituições, o sistema ajuda a organizar ofertas, registros e negociações em um ambiente eletrônico.

O número de registros também cresceu. Foram 3.254.671 operações no primeiro semestre de 2026, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido registrados 2.339.473 negócios.

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Para Fernando Bianchini, superintendente de Produtos de Renda Fixa da B3, o aumento reflete o amadurecimento do mercado secundário de títulos privados e reforça a importância de uma infraestrutura robusta para dar suporte à expansão.

“O aumento dos registros de negócios reflete o amadurecimento do mercado secundário de títulos privados, reforçando a importância de uma infraestrutura robusta para suportar essa expansão”, afirma.

Por que isso importa para o investidor?

Quanto mais negócios acontecem no mercado secundário, maior tende a ser a liquidez dos papéis. Em termos simples, isso significa que pode ficar mais fácil encontrar comprador ou vendedor para determinados títulos.

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A B3 também prepara uma nova iniciativa para ampliar a liquidez. Em agosto, deve começar um programa de formador de mercado para títulos privados. A ideia é credenciar instituições financeiras para atuar oferecendo preços de compra e venda, ajudando na formação de preços das debêntures negociadas na plataforma.

Além dos títulos privados, outros segmentos de renda fixa também cresceram. O número de operações com Títulos Públicos Federais subiu 11% no semestre, de 62.483 para 69.282. Já as negociações de Créditos de Descarbonização, os CBIOs, avançaram 28%, para 5.071 negócios.

Os números reforçam uma frente de crescimento que vai além da negociação de ações. O avanço do Trademate mostra que o mercado de renda fixa privada está ficando mais eletrônico, mais negociado e mais relevante dentro da infraestrutura da Bolsa brasileira.

Maíra Telles

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