Azul (AZUL4) fecha oferta bilionária, injeta R$ 7,4 bilhões e diluição vira o preço da sobrevivência
O investidor que achou que a reestruturação da Azul tinha ficado para trás em 2025 acordou em 2026 com um lembrete duro do que significa atravessar um Chapter 11. A companhia aérea concluiu uma oferta pública primária bilionária, levantando R$ 7,44 bilhões, em um movimento central do seu plano de recuperação judicial nos Estados Unidos. O reforço de caixa vem acompanhado de um efeito inevitável: diluição relevante para os acionistas.
A operação, anunciada em fato relevante nesta terça-feira (6), envolveu a emissão de mais de 1,44 trilhão de novas ações, somando papéis ordinários e preferenciais, com preços extremamente baixos por ação. O desenho da oferta deixa claro que o foco não foi preservar valor no curto prazo, mas reestruturar o balanço e converter dívida em capital.
Capital novo, estrutura totalmente redesenhada
No detalhe, a Azul emitiu 723,8 bilhões de ações ordinárias e 723,8 bilhões de ações preferenciais, totalizando um montante de R$ 7.441.550.992,27. O preço por ação foi fixado em R$ 0,00013527 para as ordinárias e R$ 0,01014509para as preferenciais, valores que refletem a realidade de um patrimônio líquido negativo, conforme destacado pela própria companhia.
Com a homologação do aumento de capital, o capital social da Azul passou para R$ 14,57 bilhões, dividido entre 725,9 bilhões de ações ordinárias e 724,7 bilhões de ações preferenciais. Desde o fim de dezembro, os papéis preferenciais passaram a ser negociados com novo código, AZUL54, enquanto as ações ordinárias adotaram o ticker AZUL53, ambos com fatores de cotação ajustados.
Oferta faz parte da reestruturação nos EUA
A Azul foi explícita ao reforçar que a oferta está diretamente ligada ao seu plano de reestruturação sob o Chapter 11, nos Estados Unidos. O objetivo central foi a capitalização obrigatória das senior notes, com vencimentos entre 2028 e 2030, que foram convertidas em ações da companhia.
Segundo o fato relevante, aproximadamente R$ 7,4 bilhões em dívidas financeiras foram convertidos em capital por meio da emissão de ações, com perdão integral dos juros correspondentes. Os credores passaram a deter participação acionária por meio de entidades estruturadas no exterior, reduzindo o endividamento e aliviando o fluxo de caixa da companhia.
“Os valores atribuídos às ações refletem de forma clara e consistente a estrutura de capital atualmente existente, na medida em que o montante total da dívida da Companhia é substancialmente superior ao valor de seu patrimônio”, afirmou a Azul no documento.
Diluição elevada, mas risco também muda de patamar
Do ponto de vista do investidor, a mensagem é direta: a diluição é significativa, mas faz parte da troca entre risco de insolvência e continuidade operacional. A própria companhia alertou que esta é a primeira de duas ofertas públicas previstas no contexto da reestruturação, o que mantém no radar a possibilidade de novas diluições à frente.
Ainda assim, o movimento reduz drasticamente o risco financeiro extremo, ao substituir dívida cara por capital, e reposiciona a Azul para uma nova fase após anos de pressão no setor aéreo.