Ata do Copom indica que Comitê considerou alta superior a 1,5 p.p. na Selic

Ata do Copom indica que Comitê considerou alta superior a 1,5 p.p. na Selic
Banco Central - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) considerou “cenários com ritmos de ajuste maiores do que 1,50 ponto percentual” anunciado na última semana, indica a ata da reunião divulgada nesta quarta-feira (03).

Na semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros do Brasil para 7,75%, em meio a uma inflação de 10,25% em 12 meses. Em ata, o comitê destaca:

“Prevaleceu, no entanto, a visão de que trajetórias de aperto da política monetária com passos de 1,50 p.p., considerando taxas terminais diferentes, são consistentes, neste momento, com a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo considerando a atual assimetria no balanço de riscos.”

A elevação da Selic em 1,5 p.p. foi a maior desde dezembro de 2002. Os 7,75% também são o maior nível dos juros em quatro anos.

De acordo com o BC, a inflação ao consumidor segue elevada e tem se mostrado mais persistente que o antecipado, abrangindo componentes associados à inflação subjacente, diz ata do Copom. “A alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, refletindo a gradual normalização da atividade no setor, dinâmica que já era esperada.”

Além desses pontos, a ata indica que desde a última reunião do Copom houve alta substancial dos preços internacionais de commodities, cujo impacto inflacionário é amplificado pela depreciação do real. De acordo com o BC, essa combinação é o fator preponderante para a elevação das projeções de inflação do Comitê tanto para 2021 quanto para 2022.

Risco do cenário brasileiro

A ata do Copom destaca três pontos sobre os riscos do cenário do País para conter o avanço da inflação. São eles:

  • Reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities;
  • Interrupção das políticas fiscais de resposta à pandemia, que pressionam a demanda agregada e pioram a trajetória fiscal;
  • Disciplina fiscal, visto que “questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos”.

Por conta dos riscos fiscais, o mercado financeiro tem projetado aumento maior nos juros. Para o fim deste ano, a expectativa dos analistas para a taxa de juros está em 9,25% ao ano e, para 2022, em 10,25% ao ano.

Porém, o BC também fez uma avaliação de pontos que devem beneficiar a atividade econômica em 2022, são eles:

  • continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços;
  • desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa; e
  • os resquícios do processo de normalização da economia conforme a crise sanitária arrefece.

Próxima reunião do Copom

Para a próxima reunião do Copom, em 6 e 7 de dezembro, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude, diz ata. O documento ainda enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

Monique Lima

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