Light (LIGT3) encerra recuperação judicial mais de três anos após pedido; entenda
A Light (LIGT3) encerrou sua recuperação judicial na noite de quarta-feira (9), pouco mais de três anos após ingressar com o pedido no Judiciário. A decisão foi tomada pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, da 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, que considerou cumpridas as obrigações previstas no plano acordado com os credores.
O encerramento do processo de recuperação judicial da Light levou em conta pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O período de fiscalização do plano correu de 18 de junho de 2024 a 18 de junho de 2026.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que foram “cumpridas todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial verificadas durante o período de fiscalização” e classificou o encerramento como “marco relevante na trajetória de reestruturação”.
A reestruturação financeira por trás do encerramento da LIGT3
A Light entrou com o pedido de recuperação judicial em 12 de maio de 2023, com dívidas de cerca de R$ 11 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 7 bilhões estavam com detentores de debêntures e R$ 3,1 bilhões em títulos de dívida no exterior, os chamados bonds.
Para sair do processo, a empresa executou um conjunto amplo de medidas. A companhia concluiu um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão com a entrada de novos acionistas, incluindo fundos credores que converteram dívidas em ações. O plano previa a conversão de até R$ 2,2 bilhões em dívidas em participação acionária, o que alterou o perfil acionário da companhia.
Outro frente da reestruturação envolveu as perdas comerciais, o furto de energia por ligações clandestinas, historicamente um dos maiores gargalos da distribuidora. Os índices chegaram a superar 30% da energia injetada na rede. Durante a recuperação judicial, a empresa acelerou investimentos em tecnologia de medição e parcerias com forças de segurança, apresentando redução gradual desse indicador ao longo de 2024 e 2025.
O que muda com o encerramento
Com a saída do regime de recuperação judicial, a Light recupera plena capacidade jurídica para contratar, licitar e captar recursos no mercado financeiro sem as restrições que vigoravam desde 2023. A empresa volta a poder participar de leilões de concessão e processos licitatórios federais e estaduais.
O encerramento também remove um fator de risco para os investidores institucionais, que tinham restrições regulatórias ou de mandato para manter posições em empresas sob esse regime especial.
As ações da Light chegaram a ser negociadas abaixo de R$ 3,00 durante os momentos mais críticos da crise, em 2023, e se recuperaram ao longo dos meses seguintes com a aprovação do plano e a execução das medidas de reestruturação. Nesta quinta-feira (10), os papéis LIGT3 operam em alta de 0,55%, a R$ 3,66, por volta das 11h30. No último mês, as ações acumulam variação positiva superior a 18%.