Ibovespa dispara 3,05% e engata 11ª alta seguida com ‘trade eleitoral’

O Ibovespa acelerou forte nesta quarta-feira (2) e fechou em alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos, completando a 11ª valorização consecutiva. O índice chegou a 186.028,06 pontos na máxima do dia, maior nível desde maio, em uma sessão dominada pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral e pela queda dos juros futuros.

A pesquisa Quaest mostrou um cenário mais apertado para a disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. A leitura aumentou o apetite por ativos brasileiros e ajudou também a derrubar o dólar e a curva de juros.

Fernando Bresciani avalia que o movimento foi predominantemente doméstico. “O mercado está reagindo principalmente a essa sinalização, essa incerteza com chances para Flavio Bolsonaro”, afirma.

Segundo ele, a queda dos DIs beneficiou especialmente setores mais sensíveis aos juros. “Entre os destaques positivos estão Magazine Luiza e Vamos. O varejo se beneficia da queda do DI, enquanto a Vamos também é favorecida por ser uma companhia mais alavancada.”

Cotação do dólar hoje

  • Dólar à vista: queda de 0,92%, a R$ 5,1084, menor nível desde o início de agosto. A moeda chegou a R$ 5,0987 na mínima.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

O movimento acompanhou a melhora da percepção sobre os ativos brasileiros e ocorreu mesmo com um ambiente internacional ainda marcado por tensões geopolíticas.

Eleições e juros puxam o Ibovespa

Além da pesquisa eleitoral, os investidores repercutiram a produção industrial brasileira, que avançou apenas 0,2% em julho, abaixo da expectativa de 0,5%.

Para Bresciani, o dado reforçou sinais de desaceleração da economia e contribuiu para a queda dos juros futuros.

Nos Estados Unidos, o relatório ADP também apontou perda de força no mercado de trabalho, com criação de 38 mil vagas no setor privado, abaixo das projeções.

Ainda assim, o petróleo continuou avançando em meio à intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã. O Brent fechou em alta de 1,03%, a US$ 95,63 por barril.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

O pregão foi marcado por uma alta bastante disseminada. Apenas três ações da carteira terminaram no vermelho.

  • Magazine Luiza (MGLU3): +16,88%
  • https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

  • Vamos (VAMO3): +16,11%
  • Automob (AMOB3): +11,28%
  • Assaí (ASAI3): +7,41%
  • C&A (CEAB3): +7,07%

Na ponta negativa, Cosan (CSAN3) caiu 4,53%, Rumo (RAIL3) recuou 4,18% e Totvs (TOTS3) perdeu 0,71%.

O Banco do Brasil (BBAS3) também esteve entre os destaques da sessão, chegando a avançar mais de 6% durante o pregão, favorecido pelo chamado “trade eleitoral” e pelo fluxo estrangeiro.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Ebook-Acoes-Desktop.webp

Fechamento das bolsas americanas

Wall Street interrompeu uma sequência de três quedas e fechou no positivo, com alívio nos rendimentos dos Treasuries.

  • Dow Jones: +0,56%, aos 53.061,95 pontos
  • S&P 500: +0,46%, aos 7.666,60 pontos
  • Nasdaq: +0,45%, aos 26.217,83 pontos

Apesar do exterior mais favorável no fim da sessão, Bresciani reforça que o salto do mercado brasileiro teve uma origem essencialmente local. “No geral, o que puxa o Ibovespa hoje é basicamente o cenário eleitoral.”

A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (1º), foi de 179.722,48 pontos, com alta de 1,30%.

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião