Ainda vale investir no CDI? XP aponta onde estão as oportunidades da renda fixa em agosto
Quem deixou todo o dinheiro no CDI nos últimos meses talvez precise começar a olhar para outros indexadores. Pelo menos essa é a avaliação da XP Research, que manteve os ativos pós-fixados como parte importante da estratégia para agosto, mas reforçou o espaço para títulos atrelados ao IPCA e para oportunidades selecionadas em crédito privado. Em um cenário de juros ainda elevados e incertezas fiscais, a corretora defende que a diversificação continua sendo o principal caminho para quem investe em renda fixa.
A estratégia reflete a expectativa de que o ciclo de queda da Selic esteja próximo do fim. Com isso, a XP entende que o investidor não deve abandonar os pós-fixados, mas também não deveria concentrar toda a carteira em um único indexador.
CDI continua importante, mas não deve estar sozinho
Mesmo com a perspectiva de redução da Selic, os ativos pós-fixados seguem ocupando uma posição relevante na carteira recomendada pela XP.
Segundo a casa, eles continuam oferecendo uma combinação interessante entre rentabilidade, liquidez e menor volatilidade, especialmente para a parcela de curto prazo da carteira. Entre os ativos destacados estão o Tesouro Selic (LFT 2029) e CDBs de grandes instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, o relatório chama atenção para um ponto importante: manter todo o patrimônio apenas em aplicações indexadas ao CDI pode limitar oportunidades caso os juros continuem caindo nos próximos meses.
IPCA ganha espaço na estratégia
A XP também reforçou a importância dos títulos indexados ao IPCA, principalmente para investidores com horizonte de médio e longo prazo.
A corretora destaca que os juros reais continuam em níveis elevados, permitindo travar remunerações consideradas atrativas para quem pretende carregar os títulos até o vencimento. Entre os destaques da carteira está a NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035, remunerando IPCA + 7,39% na data do relatório.
Além dos títulos públicos, a carteira inclui debêntures incentivadas ligadas à infraestrutura, como a emissão da Raposo-Castelo (CERT11), que oferecia remuneração de IPCA + 8,15% (isenta de Imposto de Renda) na data da publicação.
Prefixados também seguem no radar
Os títulos prefixados continuam presentes na estratégia, embora com menor participação.
Na visão da XP, as taxas permanecem elevadas em termos históricos, criando oportunidades para investidores que acreditam em um ambiente de juros menores nos próximos anos. Ainda assim, a recomendação é priorizar vencimentos intermediários, reduzindo a exposição às oscilações da curva de juros.
Crédito privado exige atenção aos riscos
Além dos títulos públicos, a carteira inclui alternativas de crédito privado.
A XP ressalta que esses ativos podem oferecer retornos superiores aos títulos soberanos, mas exigem atenção ao risco de crédito, à liquidez e à concentração por emissor. A orientação da corretora é evitar que um único emissor represente mais de 5% da carteira destinada ao crédito privado. Também lembra que debêntures, CRIs e CRAs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Como fica a carteira de renda fixa?
Em vez de concentrar recursos em um único tipo de investimento, a XP recomenda distribuir a carteira entre diferentes classes de ativos.
Os principais destaques da estratégia para agosto incluem:
- Tesouro Selic para liquidez e reserva de oportunidade;
- títulos indexados ao IPCA para proteção contra a inflação;
- prefixados de vencimentos intermediários;
- CDBs e outros instrumentos pós-fixados;
- debêntures incentivadas e outros ativos de crédito privado para investidores com perfil compatível.
Essa combinação, segundo a corretora, ajuda a reduzir riscos e permite que o investidor aproveite diferentes cenários para juros e inflação ao longo dos próximos anos.
Na avaliação da XP, o momento ainda favorece a renda fixa, mas a estratégia passa menos por escolher entre CDI ou IPCA e mais por combinar diferentes indexadores de forma equilibrada, aproveitando as taxas atuais sem concentrar toda a carteira em uma única aposta.