Ibovespa respira com alívio externo e sobe quase 2% mesmo com tombo de Petrobras (PETR4)

O Ibovespa finalmente encontrou algum fôlego nesta quarta-feira (20), após dias de forte correção, e registrou sua maior alta porcentual desde 8 de abril. O principal índice da B3 subiu 1,77%, aos 177.355,73 pontos, em um movimento de recuperação puxado pelo alívio no cenário externo, melhora no humor global e queda dos juros americanos — mesmo com a forte pressão sobre Petrobras (PETR4), que limitou um avanço ainda maior.

O giro financeiro somou R$ 28,1 bilhões. Na semana, o índice voltou ao terreno positivo, com leve alta de 0,04%, embora ainda acumule perda de 5,32% em maio. No ano, o ganho está em 10,07%.

Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, resume a virada de humor. “A bolsa sobe hoje, devolvendo parte das perdas expressivas observadas no pregão de ontem. A grande expectativa do dia gira em torno dos resultados da NVIDIA, que funcionam praticamente como um catalisador global e ajudam a sustentar o movimento positivo dos mercados.”

Cotação do dólar hoje

O dólar acompanhou o movimento global de maior apetite por risco e acelerou a queda frente ao real, encerrando próximo da marca de R$ 5,00.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o principal vetor veio do exterior. “O dólar acelerou a queda nesta sessão, renovando mínimas intradiárias em forte sintonia com o exterior, com recuo das Treasuries e forte queda do petróleo após sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã.”

Fechamento das bolsas americanas:

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  • Dow Jones: +1,31%
  • S&P 500: +1,08%
  • Nasdaq: +1,54%

Maiores altas e baixas do Ibovespa

O pregão teve forte rotação setorial. Com a queda brusca do petróleo, as petroleiras ficaram entre as maiores pressões do índice. Petrobras (PETR3) caiu 3,85%, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 3,23%, acompanhando o mergulho de quase 6% nos contratos futuros do Brent e WTI.

Na direção oposta, setores mais sensíveis a juros e ao humor global lideraram a recuperação. Bancos avançaram com força, beneficiados pela melhora do ambiente externo e pelo fechamento da curva de juros.

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Maiores altas:

  • CSN Mineração (CMIN3): +10,29%
  • Cury (CURY3): +8,53%
  • Lojas Renner (LREN3): +7,77%

Maiores baixas:

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  • Petrobras (PETR3): -3,85%
  • Petrobras (PETR4): -3,23%
  • SLC Agrícola (SLCE3): -1,61%

A melhora veio com sinais de descompressão geopolítica. Notícias sobre retomada parcial do tráfego no Estreito de Ormuz e declarações de Donald Trump indicando que um acordo com o Irã estaria nos “estágios finais” aliviaram os temores sobre inflação global e fornecimento de energia.

Gass também destacou o pano de fundo estrutural que segue favorecendo o Brasil. “Com a Selic em 14,50% e juros americanos bem abaixo disso, o diferencial segue extremamente atrativo e sustenta a entrada de capital estrangeiro.”

Mesmo com a recuperação desta sessão, o Ibovespa ainda tenta reconstruir terreno após semanas de forte realização — mas, desta vez, ao menos, o mercado voltou a lembrar como é subir.

Maíra Telles

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