Sustentabilidade paga? BTG monta carteira e aposta que ESG pode gerar dividendos

A pergunta que há pouco tempo parecia mais conceitual começa a ganhar contornos práticos no mercado: ESG pode, de fato, gerar retorno? Em um cenário em que sustentabilidade deixa de ser apenas discurso, o BTG Pactual decidiu testar essa tese na prática ao montar uma carteira recomendada com foco em empresas que combinam fundamentos financeiros e boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Segundo o banco, “o investimento responsável está se tornando cada vez mais importante para a comunidade de investidores”, o que motivou a criação de um portfólio específico com revisão mensal .

Carteira ESG reúne nomes de diferentes setores

A carteira de abril reúne dez ações: Allos (ALOS3), Axia (AXIA3), Copel (CPLE3), C&A (CEAB3), Equatorial (EQTL3), Itaú (ITUB4), Localiza (RENT3), Nubank (ROXO34), Motiva (MOTV3) e Rede D’Or (RDOR3) .

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2026/04/Artigos-e-Noticias-Banner-Materias-01-Desktop_-1420x240-1-png.webp

O portfólio mostra que o conceito de ESG já não está restrito a empresas tradicionalmente ligadas ao meio ambiente. Bancos, varejo e empresas de infraestrutura também aparecem na seleção, refletindo uma abordagem mais ampla que inclui governança, eficiência operacional e impacto social.

Entre os destaques, o BTG aponta o Nubank como uma tese ligada à inclusão financeira e crescimento estrutural, enquanto o Itaú surge como opção mais defensiva em um ambiente mais volátil .

ESG começa a entregar resultado, não só discurso

Apesar de ainda ser visto por parte do mercado como um tema mais institucional, o desempenho recente da carteira reforça a tese de que sustentabilidade pode caminhar junto com retorno.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Nos últimos 30 dias, o portfólio ESG avançou 14%, superando o Ibovespa, que subiu 12%, e o índice S&P/B3, com alta de 8,9% no mesmo período. Esse movimento indica que o ESG começa a ser incorporado como critério relevante de investimento, não apenas como filtro reputacional.

ESG entra na estratégia do investidor

O relatório também mostra que o conceito vai além das questões ambientais. A seleção das empresas considera fatores como inovação, digitalização, governança e posicionamento competitivo no longo prazo.

De acordo com o BTG, a carteira foi construída a partir da identificação de tendências estruturais na América Latina, combinadas com a visão dos analistas sobre empresas com potencial de valorização. “Escolhemos as empresas em que nossos analistas têm recomendação de compra e acreditam ter momentum positivo”, afirma o banco .

Nesse contexto, o ESG deixa de ser apenas uma pauta institucional e passa a integrar, de forma mais direta, a estratégia de alocação de capital dos investidores.

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião