Ibovespa tropeça com volta da tensão externa e mercado já mira inflação no Brasil

O Ibovespa devolveu parte do otimismo da sessão anterior e encerrou esta terça-feira (26) em queda, pressionado pela volta das tensões geopolíticas e pelo aumento da cautela antes da divulgação do IPCA-15 no Brasil. O principal índice da B3 fechou em baixa de 0,88%, aos 176.247 pontos, descolando do desempenho misto observado em Wall Street.

A piora no humor veio após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã, reduzindo as apostas de uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio e reacendendo temores sobre inflação global, especialmente pelo impacto sobre os preços de energia.

“A Bolsa brasileira opera em queda hoje na contramão do exterior, e isso tem muito a ver com a volta das preocupações geopolíticas”, afirma Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.

Cotação do dólar hoje

O dólar terminou o pregão em leve alta, refletindo a postura mais defensiva dos investidores diante do ambiente externo mais incerto.

A moeda americana fechou cotada a R$ 5,027, com avanço de 0,18%, após oscilar próxima da estabilidade durante boa parte da sessão.

Segundo Leonardo Santana, o movimento foi contido, mas coerente com o cenário. “Quando há intensificação de conflitos geopolíticos, o investidor naturalmente busca proteção, e o dólar segue sendo o principal ativo de segurança global.”

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Fechamento das bolsas americanas

Mesmo com o retorno de Wall Street após o feriado, os índices americanos tiveram desempenho misto:

  • Dow Jones: -0,23%
  • S&P 500: +0,61%
  • Nasdaq: +1,19%

O suporte veio principalmente das big techs, enquanto o mercado ainda assimilava o impacto do cenário geopolítico e da alta dos yields das Treasuries.

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Maiores altas e baixas do Ibovespa

A alta do petróleo beneficiou parte do setor de energia, mas não foi suficiente para sustentar o índice diante da pressão sobre bancos e varejo.

Entre os destaques negativos, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,40%, Santander (SANB11) recuou 1,88%, Bradesco (BBDC4) perdeu 1,66% e Itaú (ITUB4) cedeu 1,12%.

No varejo, o movimento também foi de realização, com C&A (CEAB3) em queda de 5,03%.

Na ponta negativa do índice, Braskem (BRKM5) despencou 6,05%, pressionada por preocupações com endividamento.

Entre as altas, Ambev (ABEV3) avançou 1,40%, beneficiada após recomendação mais positiva do BTG Pactual, enquanto Hapvida (HAPV3) subiu 1,37%.

Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, avalia que o mercado continua excessivamente dependente do noticiário externo. “Depois da reação positiva observada ontem, bastou a retomada dos ataques durante a noite para que o mercado voltasse a piorar.”

Agora, a atenção se volta ao dado de inflação no Brasil. Se o IPCA-15 vier acima do esperado, a leitura de juros elevados por mais tempo pode ganhar força adicional — e pressionar novamente o Ibovespa.

Maíra Telles

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