Ambev (ABEV3): BTG muda de ideia após 13 anos e vê alta de 29%

A Ambev (ABEV3) voltou a convencer o BTG Pactual depois de mais de uma década de cautela. Em relatório assinado por Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o banco elevou a recomendação da companhia para compra após 13 anos, aumentou o preço-alvo de R$ 17 para R$ 20 e passou a estimar retorno total de 29%, considerando valorização potencial de 22% e dividend yield projetado de 7,1%.

A mudança chama atenção porque o BTG afirma que sua postura cautelosa com a ação foi uma das recomendações mais consistentes da casa nos últimos anos. Agora, a avaliação é que a cervejaria recuperou uma peça central para sua tese de valor: o poder de preço.

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Por que o BTG voltou a comprar Ambev

Segundo Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual, “treze anos depois, estamos elevando Ambev para compra. Não fazemos isso de forma leviana”. A virada, dizem eles, ocorre porque a capacidade da companhia de impor preços, principal variável para explicar sua criação de valor, “finalmente parece estar dando frutos”.

O banco afirma que a Ambev voltou a ganhar protagonismo em preços em 2025 e no início de 2026, em um momento em que a Heineken, sua principal rival no mercado premium, teria passado a seguir os reajustes da companhia, e não mais liderar o movimento.

Na visão dos analistas, a diferença está no portfólio. Enquanto a Heineken ainda depende fortemente de uma marca premium dominante, a Ambev passou a atuar de forma mais granular em diferentes faixas de preço, do core ao premium, com marcas como Spaten, Corona, Stella Pure Gold, Beck’s, Brahma Duplo Malte, Bohemia e Budweiser.

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Poder de preço pode virar o jogo

Para o BTG, a disputa não é apenas por volume, mas por participação em receita. O relatório afirma que, “pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação em receita no mercado brasileiro de cerveja”.

Essa recuperação é importante porque o banco vê o portfólio como uma espécie de proteção competitiva. A Ambev ainda tem cerca de 50% de participação no segmento premium, abaixo dos cerca de 70% que possui no segmento core, o que, segundo o BTG, abre espaço para captura adicional de valor.

Com essa leitura, o banco passou a assumir ganho real médio de preço de 1,4 ponto percentual por ano no segmento de cerveja no Brasil nos próximos anos. A projeção sustenta uma melhora gradual do retorno sobre o capital investido, o ROIC, que deve sair de 30,6% em 2025 para 37% em 2028.

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Ambev (ABEV3) ainda tem dividendos no radar

O BTG estima que a Ambev entregue receita líquida de R$ 92,5 bilhões em 2026, EBITDA de R$ 31,1 bilhões e lucro líquido de R$ 16,1 bilhões. Para 2028, as projeções sobem para receita de R$ 105,3 bilhões, EBITDA de R$ 34,7 bilhões e lucro líquido de R$ 18,5 bilhões.

Outro ponto de suporte para a tese está na remuneração ao acionista. O banco projeta dividend yield líquido de 7,1% em 2026 e afirma que a queda potencial da ação é amortecida pela posição de caixa líquido e pela possibilidade de recompras adicionais, além de um payout de 100%.

Para a Ambev, o ponto central da nova recomendação está menos em uma retomada explosiva de volumes e mais na capacidade de sustentar preços. Como resumem Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, “a tese de preço e a tese de ROIC são a mesma tese”, já que a recuperação do poder de preço é o que pode recolocar a companhia em um patamar superior de retorno.

Maíra Telles

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