Ata do Fed mostra divisão e não descarta aumento de juros
A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), autoridade monetária norte-americana, revelou um banco central dividido, mas ainda inclinado a manter os juros inalterados enquanto avalia os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.
O documento, divulgado nesta quarta-feira (18), mostrou que quase todos os dirigentes concordaram em manter a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, após os cortes acumulados de 75 pontos-base realizados no ano passado. A avaliação predominante foi de que é necessário mais tempo para medir os efeitos do afrouxamento já promovido.
Ainda assim, a ata do Fed mostrou que não houve unanimidade. Parte dos membros defendeu a retomada dos cortes já nesta reunião. Outros foram além e mencionaram, pela primeira vez de forma direta, a possibilidade de elevar os juros caso a inflação permaneça acima da meta de 2%. Atualmente, o índice está cerca de 1 ponto percentual acima desse nível.
“Ao considerar as perspectivas para a política monetária, vários participantes comentaram que novos ajustes para baixo na faixa-alvo da taxa dos federal funds provavelmente seriam apropriados se a inflação recuasse em linha com suas expectativas”, registrou a ata.
Na reunião de 27 e 28 de janeiro, o Fed decidiu preservar a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em 2025.
Fed pode subir os juros novamente?
Após a divulgação da ata, investidores mantiveram a expectativa de que o Fed preserve a taxa atual até a reunião de junho. O mercado ainda projeta cortes de 0,25 ponto percentual a partir do meio do ano, possivelmente também em setembro.
A ata do Fed, no entanto, deixou claro que qualquer movimento dependerá da evolução dos dados. A autoridade monetária indicou que poderá manter os juros no patamar atual por um período prolongado, caso a inflação não mostre convergência consistente, e não descartou novos aumentos na taxa de juros.