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Vale (VALE3) Itaú BBA reitera recomendação e XP mantém compra, após estimativas de produção

Vale (VALE3) Itaú BBA reitera recomendação e XP mantém compra, após estimativas de produção
Foto Divulgação Vale

A XP Investimentos manteve sua recomendação de compra para a Vale (VALE3), e o Itaú BBA reiterou sua recomendação outperform, com preço-alvo em 2022 de US$ 16 por ADR da mineradora. As recomendações foram reafirmadas após o Vale Day, que aconteceu ontem (29).

No evento, a Vale divulgou uma atualização de suas estimativas de produção para os próximos anos e agora espera que sua produção de minério de ferro totalize 315 a 320 milhões de toneladas em 2021, uma redução quando comparada à estimativa anterior, em 3 de novembro, de 315 a 335 milhões de toneladas.

Na avaliação da XP Investimentos a redução na projeção de produção de minério de ferro já era parcialmente esperada.

Já para o ano que vem, o guidance da produção de minério ficou entre e 320 a 335 milhões de toneladas, volume abaixo da  projeção de 340 milhões de toneladas, do Itaú BBA. Contudo, o relatório do banco destaca que “Embora o guidance também parece estar abaixo das expectativas atuais do mercado, é positivo do ponto de vista de preços.”

“Com um nota positiva, a Vale espera que a qualidade média de seu portfólio fique em torno de 63,5% em 2022, contra 62,9% em 2021, uma diferença que sozinha poderia gerar US $ 300 milhões em prêmios adicionais”, destaca o banco de investimentos.

Além disso, em relatório assinado por Andre Vidal e Thales Carmo, a XP aponta que “a Vale também tem investido em diversas iniciativas de P&D de sucesso, como plantas de filtração de rejeitos, soluções de concentração a seco e briquete verde, que devem render resultados no curto, médio e longo prazo.”

A corretora vê a história da mineradora como “um cabo de guerra entre riscos de curto prazo (principalmente em relação a ainda ter 3 barragens com alto risco de falha) e oportunidades de longo prazo, já que a empresa pode ser líder para os clientes da siderurgia que tentam reduzir sua pegada de carbono, por meio de uma combinação de ativos de alta qualidade e inovações trazidas por P&D.”

Vale divulgou previsão de investimentos

Sem projetos faraônicos na carteira de investimentos como no passado, a mineradora Vale divulgou ontem, durante encontro presencial com analistas na Bolsa de Nova York, que pretende investir US$ 5,8 bilhões em 2022, incluindo plantas de filtragem de rejeitos, descaracterização de barragens a montante e outras frentes de crescimento. Para os anos seguintes, a empresa informou que deve desembolsar investimentos na faixa de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões anualmente.

Durante a apresentação para investidores, a Vale detalhou que a companhia deverá atingir uma capacidade de produção de 370 milhões de toneladas de minério de ferro ao fim de 2022, frente a uma capacidade atual de 341 milhões de toneladas.

Esse crescimento será resultado de investimentos feitos nos últimos anos, incluindo capacidades adicionais nas operações do Sistema Norte, como o projeto Gelado, na Serra Norte, e ampliações no S11D, no Pará. Ao longo dessa década, a produção poderá chegar a 400 milhões de toneladas por ano.

Preços atuais

O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, disse, em entrevista ao Estadão, que o mercado de minério de ferro vive um “ruído de curto prazo” na China, principal destino da produção da mineradora.

Para ele, porém, o mercado deve ficar “mais ou menos equilibrado” a partir do segundo trimestre de 2022, depois da realização dos Jogos de Inverno de Pequim, marcados para fevereiro de 2022.

“A China, deliberadamente, segurou o crescimento para não superaquecer a economia, para bater meta de energia e de controle de poluição. Acho que o mercado vai continuar assim até a Olimpíada”, ressaltou Bartolomeo. “Não vemos a China com crescimento negativo no ano que vem, produzindo menos de 1 bilhão de toneladas de aço em 2022. Seria um pouso forçado que a gente não vê”, completou.

Além do minério de ferro, a Vale tem outra frente de crescimento nas operações de metais básicos – como cobre e níquel, por exemplo.

A expectativa é de que a operação tenha trajetória de recuperação, após “muitos desafios” em 2021. Além da greve de funcionários na mina de Sudbury, no Canadá, a Vale sofreu também com atrasos na manutenção da mina de Sossego, localizada no Estado do Pará, por causa de restrições impostas pela companhia.

Outros planos

Bartolomeo disse a analistas que a operação de metais básicos é uma plataforma de crescimento e diversificação. A expectativa é de que a produção de níquel alcance de 175 mil a 190 mil toneladas em 2022, acima do estimado para 2021. No caso do cobre, a produção deverá ficar na faixa de 330 mil a 335 mil toneladas em 2022, acima do intervalo entre 295 mil e 300 mil toneladas registrado em 2021.

Nos cálculos do mercado, a operação de metais básicos da Vale pode valer quase US$ 30 bilhões, valor correspondente a sete vezes a geração de caixa operacional, de US$ 4 bilhões. O mercado espera que a Vale faça uma cisão do ativo e, eventualmente, parta para sua abertura de capital. Ontem, o vice-presidente executivo de estratégia e transformação de negócios, Luciano Siani, disse que uma decisão nesse sentido deve ficar para 2023. O Repórter viajou a convite da Vale.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cotação da Vale

Por volta das 17h30 dessa terça-feira (30), a ação da Vale (VALE3) operava em queda de 0,23%, valendo R$ 69,77. No ano, o papel da mineradora acumula uma queda de 20,90%, frente ao fechamento a R$ 87,45 ao final de dezembro de 2020.

Laura Moutinho

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