Vacância alta desafia FIIs no mercado de escritórios do RJ
O índice de imóveis desocupados no setor de escritórios carioca permanece em aproximadamente 25%, representando um obstáculo significativo para os fundos de investimento imobiliário (FIIs) que atuam com lajes corporativas na região. Esses números evidenciam a persistência de uma demanda frágil, apesar dos ajustes implementados nos últimos anos e do cenário macro mais estável.
Dados compilados pela Newmark indicam uma desaceleração na locação de escritórios de alto padrão no último trimestre de 2025, com queda perceptível na ocupação. A absorção líquida somou perto de 15 mil m² no período, já considerando rescisões, reforçando a dificuldade de ganho consistente de inquilinos.
Ao mesmo tempo, a absorção bruta alcançou 27 mil m², patamar inferior ao do ano anterior. Esse arrefecimento generalizado sugere que a recuperação segue heterogênea e concentrada, o que limita a velocidade de redução da vacância e aumenta a incerteza para proprietários e fundos imobiliários.
Contribui para esse quadro a elevada dependência de poucos segmentos econômicos, em especial o setor público e o de óleo e gás. Essa concentração restringe a base de locatários e eleva o risco de receita, dificultando uma retomada mais ampla do mercado de lajes corporativas e exigindo maior seletividade na originação de contratos.
Em paralelo, o grande volume de espaços disponíveis mantém pressão sobre a dinâmica ocupacional. Houve expansão modesta da ocupação em áreas como Centro, Porto Maravilha e Barra da Tijuca, mas o estoque desocupado ainda impede uma queda mais rápida da vacância e mantém a competição por inquilinos elevada.
Preços de locação, contudo, mostram sinais de estabilidade, oscilando entre R$ 78 e R$ 79 por m² ao mês, virtualmente inalterados frente aos trimestres anteriores. Essa tendência pode indicar o fim do ciclo de queda, apoiada também pela baixa atividade de construção, que reduz novos lançamentos e favorece um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda.
Para os FIIs com exposição relevante ao Rio de Janeiro, sobretudo aqueles focados em lajes corporativas de padrão superior, o ambiente segue desafiador. A vacância elevada pressiona receitas, proventos e o dividend yield, mas a estabilização de preços pode prenunciar uma recuperação mais firme no médio prazo, com gestão ativa e renegociação contratual como diferenciais competitivos.