Teto de gastos está sendo enterrado por um governo dito liberal, diz Carlos Kawall

Teto de gastos está sendo enterrado por um governo dito liberal, diz Carlos Kawall
Para Kawall, governo desfez teto de gastos para poder gastar mais em ano eleitoral

O teto de gastos surgiu em 2016 para impedir que as despesas do governo brasileiro avançassem às custas da elevação dos impostos, o que compromete o crescimento da economia. Desenhado para durar 20 anos, o teto chegou ao fim só cinco anos depois de ser criado, e foi desmontado pelas mãos de um governo que se diz liberal por meio da PEC dos Precatórios.

Essa é a avaliação do economista Carlos Kawall, atual diretor da ASA Investments. Kawall já foi economista-chefe do Citigroup do Brasil e do Banco Safra, mas conhece bem Brasília e os políticos da época em que foi secretário do Tesouro Nacional e diretor do BNDES. Em entrevista exclusiva ao SUNO Notícias, disse que a PEC dos Precatórios é “pior do que parece” e afirmou que a proposta do governo Jair Bolsonaro contratará uma elevação de impostos no futuro próximo.

“Pela primeira vez [desde a criação do teto de gastos], as despesas vão crescer em termos reais 2,5% no ano que vem. Vamos voltar a ter uma trajetória de aumento real do gasto. É muito difícil imaginar que após as eleições a gente tenha condições de voltar à trajetória anterior”, pontuou.

“A consequência disso é que muito provavelmente vamos chegar em 2023 com a necessidade de elevar novamente a carga tributária para dar conta desse aumento de gastos que o governo está propondo agora por motivos claramente eleitorais”.

Para Kawall, a ideia de estabelecer um “subteto” para o pagamento dos precatórios é “absurda” e constitui “um calote puro e simples”. A alteração da regra que reajusta o teto dos gastos, então, seria nada menos do que a “morte” do mecanismo. As propostas constituem o cerne da PEC dos Precatórios, que o governo tenta aprovar no Congresso para liberar gastos em 2022.

Auxílio Brasil pode existir sem ferir o teto

O economista argumenta que o teto de gastos poderia ser mantido se houvesse, por parte do governo federal, boa vontade em tentar reduzir despesas, uma vez que o programa Auxílio Brasil, motivo principal apontado pelo governo para a existência da PEC dos Precatórios, representa um custo adicional de R$ 50 bilhões, uma fração muito pequena do R$ 1,6 trilhão que o governo poderá gastar em 2022.”

A política econômica que o governo optou em fazer nos últimos meses é uma política econômica que conhecemos: gastar mais”, destaca Kawall, que desenha uma cadeia de consequências ruins como elevação dos juros e seu impacto negativo no mercado de capitais. “O mercado de capitais, por si só, não consegue sobreviver nesse ambiente tóxico de juros elevados mesmo com o mérito das empresas e dos seus resultados.”

“É por isso que tudo depende tanto da política. Neste momento, o que está estragando o crescimento econômico do Brasil, o que está determinando um patamar de inflação muito mais alto do que no resto do mundo, é Brasília”, argumenta.

Gregory Prudenciano

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