Tesouro ficará sem caixa se não ocorrer suspensão do teto da dívida dos EUA, diz Yellen

Tesouro ficará sem caixa se não ocorrer suspensão do teto da dívida dos EUA, diz Yellen
Yellen voltou a defender suspensão do teto da dívida, aprovada pelos Democratas da Câmara na semana passada - Foto: Reproduçã/YouTube/Brooking Institute

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, novamente fez pressão para que o Congresso americano fure o teto da dívida antes de discursar para o Comitê Bancário do Senado norte-americano nesta terça-feira (28).

Por meio de carta aos congressistas, Yellen afirmou que o Tesouro ficará sem caixa suficiente para manter suas medidas fiscais extraordinárias em 18 de outubro, caso deputados e senadores não aprovem a suspensão do teto da dívida até lá.

“Esperamos que o Tesouro ficará com recursos muito limitados que se esgotariam rapidamente. É incerto se poderíamos continuar a cumprir todos os compromissos da nação após essa data”, declarou a secretária do governo Biden, antes de alertar que a previsão é incerta e pode ser alterada para uma data mais próxima ou distante.

Yellen ainda alertou sobre “sérios danos” à confiança de consumidores e empresas, além de “significativas perturbações” no mercado financeiro, caso a decisão de suspender o teto fique para o “último minuto”.

Segundo ela, as consequências poderiam ser desde “aumento de custos de empréstimos para contribuintes” e “impactos negativos sobre a classificação de crédito nos próximos anos”, até maiores incertezas que podem exacerbar “a volatilidade do mercado e minar a confiança de investidores”.

“Mais uma vez, peço respeitosamente ao Congresso que proteja toda a fé e crédito dos EUA, agindo o mais rápido possível”, concluiu a secretária.

Democratas aprovaram suspensão de teto de dívida nos EUA e medida segue para o Senado

Na semana passada a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou medida que mantém o governo financiado até o início de dezembro e suspende seu teto da dívida até 2022, mas sem resolver o impasse partidário entre democratas e republicanos antes de o texto seguir para o Senado.

Faltando menos de duas semanas para o atual financiamento do governo expirar, no dia 1º de outubro, a Câmara aprovou em uma votação de linha partidária, com 220 votos a favor e 211 contra, um pacote que financiaria o governo dos EUA até 3 de dezembro de 2021 e suspenderia o teto da dívida até 16 de dezembro de 2022.

O Departamento do Tesouro está usando medidas de emergência para cobrir as contas por vários meses até que o limite do débito seja aumentado ou suspenso novamente.

Os republicanos disseram que se opõem à votação para aumentar o teto da dívida em protesto contra os trilhões em gastos que os democratas estão tentando aprovar no Congresso sem o apoio republicano.

O impasse do teto da dívida alarmou analistas de Wall Street e líderes empresariais, que nas últimas semanas emitiram alertas sobre um risco crescente de um calote técnico, no qual o governo pode ser incapaz de fazer todos os seus pagamentos regulares integralmente e dentro do prazo. A ameaça de tal default pode prejudicar os mercados e afetar o crescimento econômico dos EUA.

Com informações do Estadão Conteúdo

Eduardo Vargas

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