Tesouro Direto volta ao radar após vencimento do IPCA+ 2026; onde reinvestir agora?

Quase R$ 260 bilhões em títulos do Tesouro IPCA+ 2026 chegaram ao vencimento em agosto e devolveram uma quantia relevante ao mercado justamente em um momento de juros reais ainda elevados. Para o investidor, o vencimento abre uma nova decisão: reaplicar no mesmo tipo de título ou reorganizar a carteira entre papéis pós-fixados, prefixados e indexados à inflação.

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Os dois títulos que venceram em 15 de agosto, o Tesouro IPCA+ 2026 e o Tesouro IPCA+ 2026 com juros semestrais, somavam cerca de R$ 258,7 bilhões. Isso não significa, porém, que todo esse dinheiro pertença a pessoas físicas do Tesouro Direto, já que a cifra também inclui fundos, instituições financeiras e outros investidores.

Tesouro IPCA+ ainda chama atenção

Uma das alternativas naturais para quem recebeu os recursos é continuar em títulos atrelados à inflação. Mesmo depois da movimentação recente das taxas, o mercado ainda oferece juros reais elevados. No início de julho, alguns papéis do Tesouro IPCA+ chegaram a pagar mais de IPCA + 8% ao ano.

A lógica é simples: o investidor recebe a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa de juros definida no momento da compra. Se carregar o título até o vencimento, essa rentabilidade contratada é preservada.

Entre 2016 e o início de agosto deste ano, o IPCA+ sem juros semestrais acumulou retorno de 255,9%, enquanto a versão com cupons avançou 234,3%. No mesmo período, o CDI acumulou 164,2%.

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Marcação a mercado pode mudar o resultado

Existe, porém, uma diferença importante entre comprar um Tesouro IPCA+ para levar até o vencimento e precisar vender antes. Quando as taxas de juros exigidas pelo mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos tende a cair. Quando as taxas recuam, acontece o contrário. Esse mecanismo é chamado de marcação a mercado.

Por isso, papéis com vencimentos mais longos podem apresentar oscilações relevantes ao longo do caminho. A rentabilidade contratada só fica garantida se o título for mantido até o vencimento.

Ao mesmo tempo, quem compra em períodos de taxas altas pode se beneficiar caso os juros caiam depois, já que o preço dos títulos tende a subir.

Selic ou IPCA+: onde reinvestir?

A escolha depende principalmente de quando o dinheiro será necessário. Para objetivos de curto prazo ou recursos que precisam de maior estabilidade, o Tesouro Selic tende a ser uma alternativa mais adequada, já que sofre menos com oscilações de preço.

O Tesouro IPCA+, por outro lado, costuma fazer mais sentido para horizontes maiores, como aposentadoria ou formação de patrimônio, porque permite travar uma taxa real por vários anos.

Também não é necessário reinvestir tudo em um único título. Uma estratégia pode combinar pós-fixados para liquidez com papéis atrelados à inflação para objetivos de longo prazo.

Essa decisão ganha relevância justamente porque o Tesouro Direto já reúne uma base ampla de investidores. Em junho, o programa tinha 35,85 milhões de cadastrados, dos quais cerca de 3,69 milhões mantinham recursos aplicados. Com o vencimento do Tesouro IPCA+ 2026, parte desse público volta a avaliar novas alternativas dentro da própria renda fixa.

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Maíra Telles

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