Tarifas de novo? O que o investidor deve saber sobre a nova decisão de Trump

As novas tarifas propostas pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros podem não atingir toda a economia da mesma forma, mas acendem um alerta para investidores com exposição a setores exportadores. A medida prevê uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras pelos Estados Unidos, com base em uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

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O ponto central para o investidor é entender quem pode sofrer mais. A proposta traz uma lista ampla de exceções, poupando itens como café, carne bovina, energia, petróleo, fertilizantes, aeronaves e peças aeronáuticas. Com isso, a pressão tende a se concentrar em segmentos da indústria de transformação, como calçados, têxteis e móveis.

Setores que entram no radar

Segundo análise do Tax Group, os setores mais expostos à nova configuração tarifária incluem calçados, têxteis e móveis. A preocupação é que uma tarifa de 25% encareça os produtos brasileiros nos Estados Unidos, reduza competitividade, pressione margens e force empresas a buscarem novos destinos para exportação.

No caso dos calçados, o risco está na relevância do mercado americano para parte das vendas externas do setor. Em têxteis, a dificuldade adicional é competir com fornecedores asiáticos em um ambiente de margens apertadas. Já no setor moveleiro, o ponto de atenção é a capacidade de manter espaço nos EUA ou redirecionar vendas sem perda de rentabilidade.

Para quem investe em ações, o filtro deve ser empresa por empresa: qual companhia depende mais dos Estados Unidos? Quanto da receita vem desse mercado? Há poder de repasse de preço? Existem outros destinos para absorver a produção?

Café, carne e aeronaves ficam de fora

Apesar do impacto potencial sobre parte da indústria, a proposta não atinge todos os produtos brasileiros. A Reuters informou que a tarifa de 25% não se aplicaria a itens como carne bovina, café, terras raras, outros metais, energia e partes de aeronaves.

Também aparecem entre as exceções frutas e castanhas, petróleo bruto e derivados, compostos farmacêuticos, químicos orgânicos e fertilizantes. Além disso, produtos já sujeitos a tarifas de segurança nacional, como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças, ficariam fora da nova medida.

Na prática, isso reduz o risco direto para algumas cadeias importantes da pauta exportadora brasileira. Mas não elimina o risco indireto de uma piora nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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O que acompanhar agora?

A proposta ainda não é uma medida final. Segundo a Reuters, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos abriu consulta pública até 1º de julho, com audiência prevista para 6 de julho. A decisão final deve indicar quais produtos serão atingidos e quais setores continuarão protegidos por exceções.

Para o investidor, três pontos merecem atenção: a lista definitiva de produtos afetados, uma eventual negociação entre Brasil e EUA e possíveis respostas do governo brasileiro.

Se confirmadas, as novas tarifas podem afetar margens, volumes exportados e planos de produção de empresas mais expostas ao mercado americano. O impacto não parece ser um choque uniforme contra o Brasil, mas pode ser relevante para setores específicos da indústria — justamente onde o risco costuma aparecer primeiro.

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Maíra Telles

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