“BC errou na política monetária durante pandemia”, diz Luis Stuhlberger

“BC errou na política monetária durante pandemia”, diz Luis Stuhlberger
Luis Stuhlberger. Foto: Verde Asset - Reprodução

“A gente sabe que a economia não é uma ciência exata, mas, ainda assim, poucas vezes vi um consenso errar tanto quanto nessa pandemia.” Foi assim que Luis Stuhlberger, sócio-fundador e gestor da Verde Asset, começou sua participação no Eleven Sessions, evento virtual da Eleven Financial, nesta terça-feira (13).

Referia-se à atuação do Banco Central (BC) na política monetária e à opinião de economistas, banqueiros e especialistas sobre a atuação da autarquia desde o ano passado. Segundo Stuhlberger, o BC os analistas cometeram erros ao avaliar os rumos da política monetária do País.

O gestor da Verde Asset entende não ter sido correto diminuir e manter por tanto tempo a taxa Selic em 2%. “Isso fez com que o BC tivesse de correr para acompanhar a inflação. Agora ficou muito atrás da curva de juros, e precisa subir a taxa”, diz.

Stuhlberger acredita que a falha foi achar que os consumidores iriam guardar dinheiro durante a pandemia, por estarem assustados com as perspectivas. “O ser humano tem necessidade de gastar, é quase como um instinto”, declarou o fundador da Verde Asset.

Ele explica que, à medida que os brasileiros se viram impedidos de gastar com serviços, migraram os gastos para o consumo. O movimento de diversos países, incluído o Brasil, de oferecer auxílio financeiro aos mais vulneráveis e desempregados teria ajudado a impulsionar esses gastos.

“Houve uma acomodação de renda aí. As pessoas passaram a gastar em bens”, diz Stuhlberger. Para o investidor, o Brasil não tem condições de acomodar a inflação de bens de consumo como o Estados Unidos, e isso coloca o Bacen na posição de aumentar o juros para acompanhar a elevação de preços.

Situação fiscal não é tão ruim 

Embora resultado de consecutivos erros, o aumento da inflação rendeu mais arrecadação para o governo federal e acomodou a dívida pública, segundo Stuhlberger.

“O governo é sócio da inflação nesse aspecto. Quando a gente fala em uma divida 15% abaixo do que se esperava estamos falando de pelo menos 1 trilhão que se ganhou com arrecadação.”

Mas o mercado não estaria olhando para isso devido à crise política, que antecipou um cenário de volatilidade que só deveria acontecer em 2022, segundo Stuhlberger.

Para ele, quando a discussão sobre a PEC dos Precatórios começou no final de julho, o mercado se concentrou na interpretação de que um Bolsa Família turbinado, com quebra do teto de gastos para pagar subsídios, seria ação de um populismo eleitoral. “O País perdeu R$ 40 bilhões com a despesa dos precatórios, mas ganhou R$ 1 trilhão com a diminuição da dívida bruta. Não me parece compatível essa comparação”, diz.

Monique Lima

Compartilhe sua opinião

Receba os destaques que irão movimentar o cenário econômico antes da abertura do mercado.

Inscreva-se