Santander Brasil (SANB11) deve ter 2T26 fraco, com lucro 20% abaixo do consenso

O Santander Brasil (SANB11) deve entregar um segundo trimestre mais pressionado, marcado por provisões maiores e lucro abaixo do esperado pelo mercado. Segundo relatório do BTG Pactual, os analistas projetam lucro líquido próximo de R$ 3,1 bilhões no 2T26, queda de mais de 15% na comparação sequencial e cerca de 20% abaixo do consenso.

A recomendação para Santander Brasil (SANB11) segue neutra, com preço-alvo de R$ 32 por unit. Considerando a cotação de R$ 26,71 usada no relatório, o potencial de valorização é de 19,8%.

O ponto central da prévia é o custo de risco. Na visão dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, o aumento das provisões deve ser o principal motivo da surpresa negativa no trimestre, apesar de uma alíquota efetiva de impostos menor por conta dos benefícios de juros sobre capital próprio.

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Santander Brasil (SANB11) deve sentir alta das provisões

Segundo o relatório, o 2T26 deve ser o trimestre mais difícil do ano para o Santander Brasil (SANB11) em termos de provisões. A pressão deve vir principalmente do varejo, além de uma piora em um cliente corporativo/rural específico.

Os analistas também citam mudanças nas regras de baixa contábil. Empréstimos rurais, financiamento de veículos e crédito imobiliário passaram a ser baixados após mais de um ano. Já cartões, cheque especial, crédito renegociado para pessoa física e empréstimos para pequenas e médias empresas, entre outros, passaram a ser baixados após mais de nove meses.

Com isso, mesmo com uma taxa efetiva de impostos menor, o lucro líquido deve recuar 16% frente ao trimestre anterior, para R$ 3,1 bilhões, queda de 12% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido deve ficar abaixo de 13%.

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Crédito deve crescer pouco no trimestre

A carteira de crédito do Santander Brasil (SANB11) deve seguir com crescimento modesto no 2T26, sem grande aceleração em relação ao trimestre anterior. O banco continuou priorizando clientes de varejo de maior renda, especialmente em crédito imobiliário e cartões, além de pequenas e médias empresas e financiamento de veículos.

No caso das grandes empresas, os analistas não esperam um impacto cambial relevante como o observado no primeiro trimestre. Já o agronegócio deve ficar praticamente estável, enquanto o crédito consignado deve cair, principalmente por fatores ligados ao INSS.

A margem financeira com clientes ainda deve crescer abaixo do ritmo da carteira de crédito, refletindo o efeito de mix e a recuperação ainda defasada das margens. A margem com mercado pode trazer algum alívio frente ao 1T26, mas deve continuar negativa.

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Segundo semestre pode melhorar, mas agro preocupa

Para o segundo semestre, a expectativa da administração é de melhora em relação à primeira metade do ano, apoiada por receitas mais fortes e menor peso do custo de crédito. O crescimento da carteira deve avançar gradualmente, com foco em pessoas físicas de maior renda, crédito imobiliário, cartões, pequenas e médias empresas, financiamento de veículos e consignado privado.

O consignado privado deve ganhar relevância no segundo semestre, após um desempenho mais fraco dos empréstimos consignados no 2T26 por questões ligadas ao INSS.

Ainda assim, o relatório aponta que o agronegócio segue como principal ponto de atenção. Desde maio e junho, os fluxos de pagamento e renegociação desaceleraram, porque tomadores passaram a esperar um possível programa Desenrola Agro, criando um efeito de risco moral, segundo os analistas.

No caso do Santander Brasil (SANB11), o impacto é limitado pelo peso do segmento, já que o agro representa cerca de 7% da carteira de crédito. Ainda assim, os analistas veem risco negativo não apenas para as estimativas trimestrais, mas também para o consenso de 2026, mesmo com a ação já acumulando queda de cerca de 20% no ano e sendo negociada a 1 vez o valor patrimonial mais recente.

Maíra Telles

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