Rede D’Or (RDOR3): família controladora coloca dinheiro de volta na ação

A Rede D’Or (RDOR3) voltou ao radar dos analistas após um relatório destacar o movimento da família Moll, controladora da companhia, de reinvestir parte relevante dos recursos recebidos desde o IPO na própria empresa.

Segundo análise do BTG Pactual, a família recebeu cerca de R$ 9,1 bilhões desde a abertura de capital da Rede D’Or, ou R$ 8,1 bilhões líquidos de impostos, considerando ofertas de ações, dividendos e juros sobre capital próprio. Desse total, aproximadamente 43% teriam sido reinvestidos em ações da própria companhia e em operações relacionadas à SulAmérica.

Para os analistas Samuel Alves e Maria Resende, esse movimento reforça o alinhamento entre controladores e acionistas minoritários, em um momento em que a ação ainda sofre com pressão técnica ligada à redução de participação do GIC, investidor relevante da companhia.

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Família Moll recomprou bilhões em ações

De acordo com o relatório, a família Moll comprou cerca de R$ 2,5 bilhões em ações da Rede D’Or entre 2022 e 2026. Apenas em 2026, as compras somam aproximadamente R$ 1,28 bilhão, ou 34,6 milhões de ações, equivalentes a 1,5% do total de papéis da companhia.

O BTG também cita compras de ações da SulAmérica feitas entre o anúncio e a conclusão da fusão com a Rede D’Or. Como a operação foi estruturada em ações, os analistas avaliam que os controladores aproveitaram o diferencial de preços entre os papéis durante o processo de aprovação.

Somando as compras de Rede D’Or e SulAmérica desde o IPO, o banco estima que os investimentos acumulados da família tenham chegado a cerca de R$ 3,5 bilhões.

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Pressão do GIC ainda pesa no papel

O relatório também trata do chamado “GIC overhang”, uma pressão vendedora ligada à redução de participação do fundo soberano de Singapura na Rede D’Or. O GIC não faz parte do bloco de controle, mas é um acionista relevante e possui assento no conselho.

Segundo o BTG, o fundo reduziu sua fatia para 12,75%, ante cerca de 17% anteriormente, o que sugere que novas vendas ainda podem ocorrer. A incerteza sobre prazo, tamanho e preço dessas eventuais vendas tem pesado sobre a ação.

Ainda assim, os analistas avaliam que a capacidade financeira da família Moll pode ajudar a reduzir esse risco ao longo do tempo. O relatório estima que, considerando os recursos recebidos e ainda não reinvestidos, a família poderia ter cerca de R$ 4,6 bilhões disponíveis.

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Analistas mantêm compra para Rede D’Or

O BTG manteve recomendação de compra para a Rede D’Or, com preço-alvo de R$ 54. Considerando o preço de R$ 34,04 usado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 58,6%.

A casa afirma que a companhia segue apoiada por fundamentos operacionais resilientes, com desempenho sólido nos segmentos hospitalar e de seguros, crescimento orgânico saudável, resiliência de margens e boas perspectivas de geração de caixa livre.

No relatório, os analistas afirmam, em tradução livre, que o reinvestimento relevante em ações da Rede D’Or (RDOR3) representa “uma das demonstrações mais fortes de alinhamento entre acionistas controladores e minoritários no mercado acionário brasileiro”.

Maíra Telles

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