Raízen (RAIZ4) tem nota de crédito rebaixada pela Fitch e S&P
Ampliando o momento de crise, a Raízen (RAIZ4) teve seus ratings de crédito rebaixados por S&P Global Ratings e Fitch Ratings nesta segunda-feira (9).
A S&P rebaixou o rating da companhia de ‘BBB-’ para ‘CCC+’ e colocou a Raízen em observação negativa, indicando risco elevado de um evento de crédito. Segundo a agência, a contratação de assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de estrutura de capital elevou a percepção de que uma reestruturação da dívida pode ocorrer em condições equivalentes a default.
Já a Fitch Ratings rebaixou os ratings de inadimplência de longo prazo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de ‘BBB-’ para ‘B’, mantendo a observação negativa. A agência também cortou os ratings nacionais da companhia e rebaixou as notas de dívidas seniores no mercado internacional.
O rating de crédito é uma nota atribuída por agências especializadas, como S&P, Fitch e Moody’s, que indica a capacidade de uma empresa honrar suas dívidas. Quanto mais alta a nota, menor é o risco percebido de inadimplência. Por outro lado, rebaixamentos sinalizam aumento do risco e, em geral, encarecem o custo de captação da companhia no mercado.
Entenda por que a Fitch e a S&P reduziram o rating da Raízen
Para a S&P, a decisão de corte do rating reflete o enfraquecimento dos sinais de capitalização e de venda de ativos que haviam sido anunciados anteriormente pela empresa e por seus acionistas. Segundo a agência, essas iniciativas eram fundamentais para reduzir o nível de endividamento no curto prazo.
No operacional, a agência avalia que há pouco espaço para melhora nos próximos trimestres. O desempenho mais fraco dos negócios de açúcar e etanol deve seguir pressionando os resultados, apesar da evolução positiva em volumes e margens na distribuição de combustíveis no Brasil.
Apesar de a Raízen contar com R$ 18,6 bilhões em caixa e linhas de crédito disponíveis, a agência alerta que, sem novas entradas de recursos, a liquidez tende a se deteriorar nos próximos anos, especialmente diante do aumento do custo da dívida e da concentração de vencimentos.
Já para a Fitch, o principal fator para o rebaixamento foi a falha dos acionistas em realizar um aporte de capital relevante dentro do prazo esperado, após os ratings terem sido colocados em observação negativa em outubro de 2025. A decisão também incorpora um desempenho operacional mais fraco do que o projetado e uma posição de liquidez mais desafiadora.
A agência projeta alavancagem elevada, com dívida bruta em torno de 5,4 vezes o Ebitda e dívida líquida próxima de 5,0 vezes nos próximos dois anos.
RAIZ4 segue como penny stock
Após recuperaram a cotação acima de R$ 1 no fim de janeiro, as ações da Raízen voltaram ao patamar de penny stock nesta semana. Este nome é dado aos papéis negociados abaixo de R$ 1 por ação. Essas ações enfrentam alta volatilidade, visto que pequenas movimentações já causam fortes alterações nos preços.
Por volta das 17h, as ações da Raízen (RAIZ4) operam próximas da estabilidade, a R$ 0,84.