Relatório da XP mostra o impacto do racionamento de energia entre as empresas do setor

Relatório da XP mostra o impacto do racionamento de energia entre as empresas do setor
Energia Elétrica Foto: Pixabay

Relatório publicado pela XP nesta terça (14), em que analistas da empresa simularam um cenário de racionamento de energia no Brasil, concluiu que setor elétrico não sairá tão prejudicado da crise: de acordo com a análise, as transmissoras não seriam afetadas, enquanto as distribuidoras podem sofrer um pequeno impacto. Já as geradoras, pelo contrário, podem se beneficiar da situação.

A simulação foi feita pensando em um cenário de racionamento para o próximo trimestre — o cenário, embora improvável, tem risco crescente. O relatório diz que, assumindo um corte de 20% nos contratos das geradoras, empresas do setor de energia teriam prejuízo no curto prazo, mas não sairiam prejudicadas em seus balanços operacionais.

O EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das distribuidoras deve ser impactado em cerca de -18%, por causa da redução das receitas, estimadas em -20% com a queda de demanda de energia.

No entanto, os analistas reiteram que o impacto deve ser mitigado pelo regulador (Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica), uma vez que as distribuidoras devem ser reembolsadas, como aconteceu em 2020 com a Conta-COVID. 

Com base nas previsões, a corretora indica a compra da Omega Geração (OMGE3) e da CESP (CESP6). A AES Brasil (AESB3), EDP (ENBR3) e Copel (CPLE6) também foram indicadas. 

 

Impacto é diferente de acordo com o setor de energia

A análise considera que as empresas de transmissão não seriam impactadas por um possível racionamento de energia por não estarem atreladas ao consumo e geração de energia. Transmissoras possuem contratos de receita fixa de acordo com a disponibilidade de linha (que costuma ser maior que 98%), e são corrigidos pela inflação. 

As geradoras, por sua vez, podem ser atingidas positivamente pelo racionamento de energia, prevê o relatório da XP. As empresas poderiam se beneficiar de acordo com quatro fatores, segundo o relatório: nível de risco hidrológico (GSF), preços de energia de curto-prazo (PLD), configuração da matriz de geração da companhia e nível de contratação do portfólio da companhia. O benefício, no entanto, não é garantido.

Bruno Galvão

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