Quais são os impactos da queda do “tarifaço” dos EUA? Entenda
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, nesta sexta-feira (20), as tarifas comerciais impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump em abril do ano passado. Por 6 votos a 3, a decisão considera que o mandatário excedeu sua autoridade ao implementar a taxação.
A decisão repercutiu entre empresas e países de todo o mundo, visto que pode impactar tanto companhias estrangeiras, quanto importadores norte-americanos e também governos que estavam em negociação com os Estados Unidos.
De acordo com Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, a queda do “tarifaço” traz impactos tanto do ponto de vista institucional quanto comercial.
“Na minha avaliação, a decisão reforça o princípio de que instrumentos emergenciais não podem ser convertidos em política comercial estrutural. Além disso, a Corte exige autorização do Legislativo para esse tipo de medida, reafirmando o sistema de freios e contrapesos na economia e no arranjo institucional norte-americano”, diz ele.
Reembolso das tarifas e impactos para o quadro fiscal
Uma das principais discussões envolvendo a decisão desta sexta-feira é justamente a possibilidade de reembolso aos importadores que lideram com as cobranças, visto que as tarifas foram consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Além disso, os impactos fiscais das tarifas, que já eram uma fonte de receita projetada, também são outro ponto de atenção.
“A derrubada da maior parte dessas tarifas remove essa fonte potencial de consolidação fiscal no longo prazo, o que, em teoria, é negativo para o quadro fiscal marginalmente e pode afetar os juros de longo prazo, que já apresentam altas nesta manhã em resposta à decisão. Ao mesmo tempo, o principal driver de percepção de risco segue sendo a trajetória estrutural de gastos e crescimento, não as tarifas”, avalia Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Os contratos e fluxos comerciais futuros dos Estados Unidos também seguem como uma incerteza, visto que os impactos do redesenho das operações podem ser bastante significativos, especialmente ao considerar os setores mais impactados.
“Muitas empresas reorganizaram cadeias produtivas, renegociaram preços e estruturaram estratégias com base nessas tarifas”, comenta Sung.
Quais setores podem ser beneficiados pela decisão?
Para o economista-chefe da Suno, alguns itens potenciais podem ser beneficiados pela decisão, como o pescado e o café solúvel, que não haviam sido contemplados pelas medidas anteriores.
No entanto, Sung alerta que ainda é necessário entender quais serão os próximos passos do governo Trump e como ficarão desenhados os modelos tarifários daqui em diante.
Já a economista-chefe da Nomad destaca a reação positiva do mercado à queda das tarifas, em meio a um momento de menores incertezas jurídicas e custos para as companhias listadas.