Polishop pede recuperação judicial com R$ 352 milhões em dívidas

A rede de varejo Polishop apresentou um pedido de recuperação judicial e agora aguarda a deliberação da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A solicitação foi confirmada pela própria companhia.

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De acordo com documentos oficias do pedido, os advogados alegam que a recuperação judicial da Polishop é a única alternativa para superar a atual crise econômico-financeira da empresa.

No pedido, afirmam que o processo é essencial para reestruturar a companhia, considerada viável economicamente, permitindo que continue gerando renda, empregos e tributos.

O documento revela que a dívida da Polishop equivale a cerca de R$ 352 milhões.

Fora a dívida com os bancos, João Appolinário, CEO da Polishop mencionou em entrevista ao Broadcast em abril um endividamento de aproximadamente R$ 50 milhões com os shoppings centers.

Segundo Appolinário, as dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia são a pandemia, o aumento do IGP-M (índice que corrige os preços de alugueis) e a crise de crédito, provocada pela Americanas (AMER3).

A recuperação judicial visa ajustar o caixa da empresa e equilibrar suas finanças para o pagamento desses débitos. Em caso de deferimento, um plano de reestruturação será apresentado aos credores no momento oportuno.

Para enfrentar a crise, a Polishop adotou várias medidas, incluindo um aporte financeiro de R$ 50 milhões e a abertura de um plano de franquias de lojas.

Estas ações visam fortalecer a empresa e ampliar sua presença no mercado, especialmente em cidades médias e grandes, conforme declarado pelo CEO da Polishop, João Appolinário, em entrevista ao Broadcast em abril.

Analista comenta crise da Polishop: “Pandemia filtrou empresas de varejo”

A analista da Levante Inside Corp, Caroline Sanchez, relembra o agravamento da crise da Polishop nos últimos anos. Desde a pandemia, a empresa já reduziu seus colaboradores em 80% (de 2.500 para 500 pessoas) e de 300 lojas físicas para 49 no Brasil.

“A pandemia realmente filtrou essas empresas de varejo, que no Brasil têm uma dependência muito maior de lojas físicas do que outras empresas estrangeiras como as e-commerces Shopee e Mercado Livre (MELI34), que não dependem de lojas físicas”, compara Sanchez.

Sanchez explica que as varejistas estrangeiras que têm avançado nos consumidores brasileiros focam principalmente em unidades físicas de hubs e centros de distribuição, para a rápida entrega dos produtos.

“Ainda tem a questão dos juros altos por mais tempo, com o consumidor pressionado priorizando o consumo de itens de primeira necessidade, além da crise de crédito por conta do caso da Americanas (AMER3)”, completa Sanchez.

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Prévias da RJ da Polishop

A empresa já havia tomado uma medida judicial preliminar no dia 3 de abril, quando solicitou e obteve tutela antecipada para suspender execuções de dívida e despejos e antecipou os efeitos do processamento da recuperação judicial conforme a lei de 2005 sobre o tema.

Agora, a Justiça irá analisar o pedido de RJ da Polishop. Se aceito, a empresa terá suas dívidas congeladas por 180 dias, período durante o qual deverá preparar um plano detalhado de reestruturação. A Polishop declarou que só se pronunciará publicamente após a decisão judicial.

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Camila Paim

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