Petróleo Brent acima de US$ 100: quais ações podem ganhar com a alta?
O petróleo Brent voltou a mexer com a Bolsa. Após fechar acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, a commodity colocou ações de petroleiras no radar dos investidores, principalmente Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3), PetroRecôncavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3).
Na quinta-feira (23), os contratos futuros do Brent avançaram 7%, para US$ 100,69 por barril, depois que houthis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Nesta sexta-feira (24), o petróleo recuava mais de 3%, para perto de US$ 97, mas ainda caminhava para forte ganho semanal.
A alta do Brent tende a beneficiar empresas produtoras de petróleo porque eleva a receita potencial por barril vendido. Mas o efeito não é igual para todas as companhias e também traz riscos para a economia, como pressão sobre combustíveis, inflação, juros e câmbio.
Petrobras (PETR4) sente efeito direto do Brent
A Petrobras (PETR4) costuma ser uma das primeiras ações lembradas quando o petróleo sobe. A companhia é uma grande produtora e exportadora de óleo, além de ter forte peso no Ibovespa.
Na quinta-feira, mesmo com o Ibovespa em queda de 0,46%, as ações da Petrobras avançaram. Os papéis preferenciais subiram 0,87%, enquanto os ordinários tiveram alta de 1,67%, ajudando a limitar as perdas do índice.
O impacto positivo vem da possibilidade de maior geração de caixa com preços mais altos do petróleo. Em relatório publicado em junho, a XP elevou sua premissa de Brent para US$ 86 por barril em 2026 e aumentou o preço-alvo de Petrobras (PETR4) para R$ 63, com recomendação de compra.
Ainda assim, Petrobras tem um fator específico de risco: a política de preços de combustíveis no Brasil. Em momentos de alta forte do petróleo, o mercado acompanha se haverá repasse para gasolina e diesel ou se a companhia absorverá parte da pressão nas margens.
PRIO, PetroRecôncavo e Brava também entram no radar
Entre as petroleiras independentes, PRIO (PRIO3) tende a ser uma das mais sensíveis ao Brent, por ter exposição concentrada em exploração e produção de óleo. A XP também mantém recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 78 para PRIO3.
A PetroRecôncavo (RECV3) também pode ser beneficiada por um cenário de petróleo mais alto, mas a XP tem recomendação neutra para a ação. No relatório, o preço-alvo foi elevado para R$ 13.
Já a Brava Energia (BRAV3) aparece com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 25. Segundo a XP, a companhia também se beneficia de um Brent mais alto, embora a casa mantenha postura mais cautelosa diante das incertezas sobre preços e trajetória de produção.
No mesmo relatório, a XP afirmou que segue construtiva com o setor de exploração e produção, com retornos de fluxo de caixa ao acionista considerados atrativos. A casa destacou especialmente PRIO e Petrobras, citando FCFE yield estimado de 24% para PRIO em 2026 e de 13% para Petrobras.
Alta do petróleo também traz riscos
Se por um lado o petróleo mais caro ajuda produtoras, por outro ele pode pesar sobre a economia. A disparada da commodity reacende preocupações com inflação, principalmente por causa dos combustíveis e de custos logísticos.
Na última quinta-feira (23 de julho), o dólar fechou em alta de 0,63%, a R$ 5,0842, em meio a um movimento global de aversão ao risco. Segundo a Reuters, o petróleo acima de US$ 100 pressionou bolsas globais e fortaleceu a moeda americana.
Esse efeito pode atingir empresas mais sensíveis a juros, consumo e transporte. Companhias aéreas, varejistas e setores dependentes de logística tendem a sentir mais pressão quando combustível, dólar e juros futuros sobem juntos.
Para o investidor, a leitura é dupla. A alta do petróleo Brent pode favorecer ações de produtoras como Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3), PetroRecôncavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3), mas também aumenta o risco macroeconômico no Brasil e no exterior. No caso da Petrobras (PETR4), palavra-chave secundária da tese, o ganho com o petróleo precisa ser acompanhado junto com política de preços, dividendos e interferência estatal.