Petróleo Brent ultrapassa US$ 100 pela primeira vez desde julho
O petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 100 o barril nesta quarta-feira (9), pela primeira vez desde julho, após navios de guerra dos Estados Unidos e do Irã trocarem tiros no Estreito de Ormuz na véspera, em uma escalada de tensões geopolíticas que sacudiu os mercados globais de energia.
Por volta das 8h31 (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo Brent para novembro subia 3,02%, a US$ 100,88 o barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos Estados Unidos, avançava 2,76%, a US$ 95,60. O WTI acumulava o sétimo pregão consecutivo de ganhos.
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Estreito de Ormuz no centro da crise do petróleo
O Estreito de Ormuz é o principal corredor de escoamento do petróleo produzido no Golfo Pérsico. Entre 17 milhões e 21 milhões de barris transitam diariamente pela via, o equivalente a aproximadamente um quinto de toda a demanda mundial. O contexto explica justamente a pressão sofrida pela cotação do petróleo nesta quarta-feira.
Pela mesma rota passam as exportações da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, dois dos maiores fornecedores globais.
O Irã ameaçou fechar o estreito em resposta a sanções americanas e ao que Teerã classificou como “agressão militar direta”. O Ministério das Relações Exteriores iraniano emitiu nota chamando as ações dos EUA de “ato de guerra” e convocou o embaixador suíço, que representa os interesses americanos em Teerã, para uma reunião de protesto formal.
O presidente dos EUA ordenou o reforço da presença naval na região, com envio de dois porta-aviões ao Golfo Pérsico. O Pentágono confirmou a movimentação em comunicado oficial, sem detalhar o número de embarcações adicionais.
O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com produção estimada em 3,2 milhões de barris por dia. A Opep+ não convocou reunião de emergência até o momento da apuração, mas fontes ouvidas pela imprensa internacional indicaram que o grupo acompanha a situação de perto.
Neste cenário, os EUA anunciaram a liberação de parte das reservas estratégicas de petróleo (SPR) para conter a alta dos preços, mas não divulgaram o volume a ser disponibilizado. O secretário-geral da Opep, Haitham Al Ghais, não emitiu declaração pública sobre o conflito até o momento.