Petrobras (PETR4) não repassa volatilidade do petróleo ao preço dos combustíveis, diz Silva e Luna

Petrobras (PETR4) não repassa volatilidade do petróleo ao preço dos combustíveis, diz Silva e Luna
Silva e Luna, Presidente da Petrobras, defendeu a política de preços da companhia estatal Foto: Agência Brasil

A Petrobras (PETR4) não repassa a “volatilidade momentânea” nas negociações do petróleo para os preços dos combustíveis, segundo o o presidente da estatal, general da reserva Joaquim Silva e Luna. A afirmação foi dada no plenário da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (13).

De acordo com o general, para estabelecer ou não um reajuste aos combustíveis, primeiro a Petrobras verifica se o aumento da commodity é estrutural e tem caráter permanente ou se é uma movimentação conjuntural e passageira. “Quando é conjuntural, a companhia absorve e procura entender ao máximo possível essa lógica de mercado”, declarou Joaquim Silva e Luna.

Silva e Luna respondeu sobre o repasse de aumento para os combustíveis em meio ao avanço dos valores da gasolina em todo o País, que já ultrapassa a marca dos R$ 7 em algumas cidades.

O presidente da Petrobras afirmou que a estatal tem forte estrutura de governança corporativa e, assim, soma ao Brasil e evita desvios que não estejam no foco da estatal.

“A melhor maneira que a Petrobras pode contribuir com o Brasil é ser uma empresa forte, poder fazer investimentos selecionados, muito bem cuidados, e ter uma forte governança, evitando qualquer desvio ou ação que não seja no sentido de somar, com foco naquilo que ela faz de melhor”, disse.

Silva e Luna destacou ainda que a Petrobras é uma empresa que gera lucros, inclusive para o seu maior acionista, a União. De acordo com ele, o pagamento de dividendos ao governo federal somou R$ 20 bilhões de 2019 a 2021.

Ele afirmou que a empresa contribui para o Brasil, “principalmente nestes tempos desafiadores”, e assinalou que, em dois anos, a estatal pagou R$ 546 bilhões em tributos. Para o general, a empresa continua a ser importante e supera a produção de 2 milhões de barris de óleo por dia: “É uma empresa muito, mas muito bem controlada.”

Críticas dos parlamentares

Na noite de segunda-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticou a gestão da Petrobras, causando forte reação nos papéis da petroleira no after hours em Nova York. A mensagem foi publicada no Twitter após a Casa confirmar que o presidente da estatal participaria do debate.

“Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã [terça], a partir das 9h, o plenário vira Comissão Geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós. A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”, escreveu Lira.

O posicionamento de Lira vem na sequência de ataques feitos à política de preços da Petrobras. As declarações vão de integrantes da oposição a membros do governo, incluindo o presidente Jair Bolsonaro – e ocorreram em meio à alta da inflação.

Após as declarações do presidente da Câmara, o ADR da Petrobras em Nova York mergulhou mais de 2% na sessão estendida. Depois de certa oscilação, o papel encerrou o pregão extra da segunda-feira em US$ 10,19, baixa de 1,16%.

O requerimento para a realização do debate da manhã desta terça foi apresentado pelo deputado Danilo Forte (PSDB-CE) e assinado por líderes e deputados de diversos partidos.

O deputado avaliou que o momento era adequado por causa da atual crise hídrica, desencadeada pela escassez de chuvas nas regiões onde estão localizados os reservatórios de hidrelétricas. Para Danilo Forte, o problema se agravou com os atrasos em investimentos de geração e de transmissão.

Última cotação da Petrobras

Às 15h20, a cotação da Petrobras caía no Ibovespa. As ações PETR4 apresentavam queda de 0,65%, sendo negociadas a R$ 26,06. Já as ações PETR3 desvalorizavam 0,33%, valendo R$ 26,79.

Com informações de Estadão Conteúdo. 

Monique Lima

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