Petrobras (PETR4): refino pode destravar dividendos e retorno de 47%
A Petrobras (PETR4) pode ter mais combustível para entregar caixa e dividendos nos próximos trimestres. Segundo relatório do BTG Pactual, a estatal está bem posicionada para capturar o cenário de margens de refino mais elevadas, o que deve trazer resiliência para lucro, fluxo de caixa livre e remuneração aos acionistas.
Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha reiteraram recomendação de compra para Petrobras, com preço-alvo de R$ 56 por ação para PETR4. Considerando a cotação de R$ 40,90 usada no relatório, o potencial de valorização é de 37%. Com dividendos, o retorno total estimado chega a 47%.
Para Petrobras (PETR3), o preço-alvo também é de R$ 56. Nesse caso, o potencial de valorização é de 22%, com retorno total estimado de 31%.
Petrobras (PETR4) ganha força com margens de refino
O BTG avalia que o mercado ainda não reconhece totalmente o peso das margens de refino na tese da Petrobras (PETR4). Segundo o banco, cerca de 70% da produção da companhia é usada como matéria-prima em suas refinarias, o que aumenta a exposição da estatal aos preços de combustíveis.
Na visão dos analistas, mesmo que o petróleo bruto volte a se normalizar, os preços de derivados podem continuar elevados por causa de um mercado global mais apertado. Isso tende a sustentar as margens de refino.
O relatório aponta três fatores para esse cenário: baixo investimento global em refino, fechamento de refinarias nos Estados Unidos e na Europa, restrições às exportações russas de diesel e impactos do conflito no Oriente Médio sobre fluxos de petróleo e operação de refinarias.
Dividendos seguem no radar
Com margens mais fortes, o BTG estima que o ponto de equilíbrio de fluxo de caixa livre da Petrobras (PETR4) pode cair para perto de US$ 60 por barril, abaixo da estimativa anterior de US$ 67 por barril feita em janeiro.
Esse cenário poderia permitir que a companhia reduza sua dívida bruta para perto de US$ 65 bilhões e, ao mesmo tempo, mantenha dividendos ordinários atrativos.
Nas projeções do banco, a Petrobras deve entregar dividend yield próximo de 10% em 2026 e 2027. Em um cenário mais otimista para Brent e margens de refino, o dividend yield de 2027 poderia chegar a cerca de 14%.
Lucro do 2T26 deve vir forte
Para o segundo trimestre de 2026, o BTG projeta Ebitda ajustado de US$ 18,9 bilhões para a Petrobras, alta de 67% em relação ao 1T26 e de 106% na comparação anual.
O lucro líquido atribuído aos acionistas é estimado em US$ 9,5 bilhões, avanço de 53% frente ao trimestre anterior e de 102% em relação ao 2T25.
A produção doméstica de petróleo deve chegar a 2,677 milhões de barris por dia, alta de 15% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado da área de refino, transporte e comercialização é projetado em US$ 5,4 bilhões, crescimento de 395% em relação ao mesmo período de 2025.
Para os analistas, se a dinâmica atual de margens de refino continuar no segundo semestre de 2026 e em 2027, a Petrobras (PETR4) pode ter novas revisões positivas de lucro e maior capacidade de pagamento de dividendos.