Petrobras (PETR4) prevê investimentos de US$ 68 bi em plano estratégico para 2022-2026

Petrobras (PETR4) prevê investimentos de US$ 68 bi em plano estratégico para 2022-2026
Petrobras (PETR4). Foto: Divulgação

A Petrobras (PETR4) divulgou nesta quarta (24) o plano estratégico da companhia para o período de 2022 a 2026.

O Plano Estratégico da Petrobras para esse quinquênio prevê US$ 68 bilhões em investimentos, com a maior parte dos recursos destinada ao pré-sal. Apesar disso, o plano trouxe, pela primeira vez, a intenção da companhia de diversificar o portfólio para reduzir sua dependência de fontes fósseis, priorizando negócios de energia e novos produtos.

Este é o primeiro plano sob comando do general Joaquim Silva e Luna, que assumiu em abril, em meio a debates sobre reajustes nos preços dos combustíveis – discussão que continua. Na gestão de Roberto Castello Branco, nos dois anos anteriores, a empresa cortou investimentos num contexto de queda do preço do petróleo. Em um passado mais distante, a Petrobras chegou a ter planos com investimento de US$ 236,7 bilhões, como no período de 2013-2017.

“A companhia mantém sua estratégia consistente de focar em projetos com pleno potencial de gerar recursos e contribuições para a sociedade brasileira”, disse o presidente da Petrobras, Joaquim Luna e Silva.

Do total de investimentos do novo plano, US$ 57 bilhões serão voltados para a exploração em produção de petróleo e gás natural (E&P), sendo a maior parte (67%) aplicada no pré-sal, que tem maior produtividade. Segundo a empresa, a produção do pré-sal deverá responder por 79% do total da companhia em 2026. Para o ano que vem, a meta de produção de petróleo e gás da Petrobras é de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Para o período está prevista a entrada em operação de 15 novas plataformas em seis campos, com mudança na estratégia de contratação de unidades afretadas por próprias em alguns dos projetos.

A companhia manteve o plano passado de resiliência da carteira de investimentos de E&P, de maneira que todos os projetos considerados apresentam viabilidade econômica em cenário de preço do petróleo de US$ 35 por barril no médio e longo prazo. Já a produção de óleo e gás estimada para 2022 e 2026, respectivamente, são de 2,7 e 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

A estatal anunciou ainda investimento de US$ 2,8 bilhões para redução e mitigação de emissões, incluindo investimentos em eficiência operacional incorporados nos projetos para mitigação das emissões (escopos 1 e 2), bioprodutos (diesel renovável e bioquerosene de aviação) e pesquisa e desenvolvimento.

Dentro da estratégia de focar em ativos mais rentáveis e de maior retorno, a Petrobras prevê realizar desinvestimentos de US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões de 2022 a 2026, ante até US$ 35 bilhões do período anterior. Segundo a empresa, os desinvestimentos vão contribuir para a geração de caixa necessária para manter a dívida em patamar adequado nos próximos anos.

No terceiro trimestre de 2021, a Petrobras reportou dívida bruta de US$ 59,6 bilhões, batendo antecipadamente sua meta de 2022. Com isso, a métrica da dívida bruta foi excluída do plano de negócios da Petrobras. A estatal acrescentou que vai manter um limite de endividamento bruto de US$ 65 bilhões para os próximos anos que, se descumprido, terá influência sobre a remuneração de executivos.

Refino

A Petrobras investirá na área de refino US$ 6,1 bilhões nos próximos cinco anos, sendo US$ 1,5 bilhão na integração entre a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e o GasLub Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, para a produção de derivados de alta qualidade e óleos básicos, a fim de aproveitar a crescente demanda do mercado de lubrificantes. Há também no plano estratégico, a previsão do investimento de US$ 1 bilhão para a área de Gás e Energia, que contemplará, principalmente, conclusão da Unidade de Tratamento de Gás (UTG) Itaboraí, com previsão de entrada em operação em 2022, além de manutenções e paradas programadas dos ativos.

No plano está previsto também a conclusão da segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima, no litoral sul de Pernambuco, com investimentos de US$ 1 bilhão, possibilitando a ampliação da produção de 115 mil para 260 mil barris por dia (bpd) em 2027.

Para a Comercialização e Logística, o investimento de US$ 1,8 bilhão, e se destina principalmente à continuidade operacional, focada em um ambiente competitivo, com destaque para os investimentos obrigatórios a serem alocados no Terminal de Santos, em função do leilão da área realizado recentemente.

O presidente da companhia disse que o plano reforça a importância de uma Petrobras forte, saudável e geradora de recursos. “Em 2021 são estimados mais de R$ 220 bilhões entre tributos e impostos recolhidos e dividendos pagos à União e demais entes federativos. Vamos gerar cada vez mais recursos que não ficam retidos no caixa da companhia, mas retornam à sociedade sob a forma de tributos, dividendos e investimentos, com efeito multiplicador na geração de empregos e no crescimento da economia brasileira”.

Sinais de um caminho sustentável

O direcionamento da maior parte dos investimentos da Petrobras para a área de exploração e produção vai na contramão das grandes petroleiras do mundo, que têm reduzido a produção de combustíveis fósseis e olham cada vez mais para projetos de energia limpa. A Petrobras, porém, busca tirar o máximo de proveito dos investimentos no pré-sal.

Apesar disso, a estatal buscou dar sinais de que quer trilhar um caminho sustentável para a transição energética, ponto cada vez mais cobrado pelo mercado. A empresa afirmou que avança na análise de novos negócios que possam reduzir a dependência das fontes fósseis, mas o plano não traz previsão de investimento em “diversificação rentável”.

Dentro dos investimentos, US$ 1,8 bilhão será destinado a iniciativas de descarbonização, com destaque para sistemas de detecção de metano, separação de CO2 e redução de carbono nas refinarias. No plano estratégico anterior, a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) já fazia parte da remuneração dos funcionários.

Petrobras avalia diversificar para reduzir dependência de combustíveis fósseis

Pela primeira vez, o Plano Estratégico da Petrobras trouxe a possibilidade de a estatal diversificar seus negócios para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, mas sem alocar Capex nem detalhar as possíveis iniciativas.

O movimento vem sendo feito pelas suas concorrentes no mundo todo, investindo em usinas eólicas em terra e mar, e também em usinas solares, mas a estatal brasileira tem priorizado a descarbonização dos seus produtos para reduzir emissões de gases efeito estufa (GEE).

No novo Plano, a companhia diz que está avançando na análise de possíveis novos negócios, que sejam rentáveis, e para isso criou uma governança de aprovação, priorizando negócios relacionados ao segmento de energia ou de novos produtos que não estejam previstos no Plano.

De concreto, a empresa manteve o compromisso de descarbonizar suas operações e anunciou investimento de US$ 1,8 bilhão, com destaque para a separação de gás carbônico (CO2), sistemas de detecção de metano, projetos nas refinarias para reduzir emissões, entre outros.

Produção do pré-sal será 79% do total da companhia em 2026, informa Petrobras

A produção do pré-sal, que vai representar 79% do total produzido pela Petrobras em 2026, reviu a produção de petróleo para o ano que vem, de 2,3 milhões de barris diários de petróleo (bpd) do plano anterior, para 2,1 milhões de bpd, com variação de 4% para mais ou para menos.

O motivo, informou a Petrobras, foram impactos da pandemia do covid-19 e os desinvestimentos ocorridos no final de 2021. Já a produção de petróleo e gás natural caiu para 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), contra 2,9 milhões de boe/d projetados anteriormente.

Segundo a Petrobras, a curva de produção de óleo e gás para o período do novo plano indica um crescimento contínuo. As perspectivas são de elevar a atuação da empresa em águas profundas e ultraprofundas de 92% em 2022 para 100% em 2026.

Com informações do Estadão Conteúdo

Bruno Galvão

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