Payroll surpreende, e mercado vê Fed com menos espaço para cortar juros
O payroll dos Estados Unidos veio mais forte do que o esperado em maio e reforçou a leitura de que o Federal Reserve pode ter pouco espaço para mexer nos juros no curto prazo. A economia americana criou 172 mil vagas de trabalho no mês, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (5) pelo Departamento do Trabalho dos EUA, acima do teto das projeções de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que iam de 50 mil a 125 mil postos, com mediana de 85 mil.
O dado é uma das principais referências acompanhadas pelo mercado financeiro para medir a força do mercado de trabalho americano. A surpresa positiva veio acompanhada de uma taxa de desemprego estável em 4,3%, repetindo o nível de abril e em linha com o esperado pelos analistas.
Payroll mostra emprego acima do esperado
Além da criação de vagas acima das estimativas, o relatório trouxe revisões positivas nos dados anteriores. A geração de empregos em abril foi revisada de 115 mil para 179 mil vagas, enquanto o número de março passou de 185 mil para 214 mil.
Na leitura de Vinícius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, os números indicam uma leve estabilização no mercado de trabalho dos Estados Unidos.
“Os dados do payroll de maio vieram acima da expectativa do mercado, com 172 mil empregos gerados, um resultado em linha com às 179 mil vagas (número revisado) registradas em abril e acima da expectativa de 85 mil vagas do mercado”, afirma Flores.
Segundo ele, o resultado surpreende positivamente, embora a geração de novas vagas ainda esteja bastante concentrada no setor de saúde.
Salários também ficam acima das projeções
Outro ponto observado pelo mercado foi o salário médio por hora, que subiu 0,32% em maio, ou US$ 0,12, para US$ 37,53. A alta veio levemente acima da expectativa de analistas, que projetavam avanço de 0,3%.
Na comparação anual, os salários subiram 3,45%, também acima do consenso de mercado, que era de 3,4%.
Esse detalhe importa porque salários mais fortes podem manter alguma pressão sobre a inflação, mesmo com sinais de estabilização no emprego. Para o Federal Reserve, a combinação entre mercado de trabalho resiliente e incertezas nos preços do petróleo pode tornar mais difícil justificar cortes de juros no curto prazo.
Na avaliação de Flores, o mercado de trabalho segue em trajetória de leve estabilização, o que desloca o foco do Fed para os efeitos inflacionários da recente disrupção nos preços do petróleo.
“Nesse cenário, acredito que o FOMC mantenha a taxa básica de juros inalterada ao longo do restante do ano”, afirma o analista da Stratton Capital.
A próxima reunião do Fed também ganha peso adicional porque será a primeira presidida pelo novo chairman, Kevin Warsh. Para Flores, o encontro deve ajudar a definir o tom da condução da política monetária americana nos próximos meses.
Com o payroll acima do esperado, desemprego estável e salários ainda em alta, o mercado ganha mais um sinal de que a economia americana segue resistente. Como resume Vinícius Flores, “fica claro que o mercado de trabalho segue em trajetória de leve estabilização”.
Com Estadão Conteúdo