O setor de saúde mostrou no quarto trimestre de 2025 que ainda caminha em um equilíbrio delicado entre crescimento, controle de custos e rentabilidade. Enquanto algumas operadoras registraram prejuízo e retração de base, outras avançaram em eficiência e melhora operacional. O balanço do período revela um cenário heterogêneo, com desafios financeiros de um lado e sinais de recuperação do outro.
A seguir, os principais destaques de Qualicorp, Rede D’Or e SulAmérica.
Qualicorp (QUAL3) reverte lucro e fecha trimestre no vermelho
A Qualicorp (QUAL3) encerrou o quarto trimestre com prejuízo líquido de R$ 10,5 milhões, revertendo o lucro de R$ 17,9 milhões registrado no mesmo período de 2024.
No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado foi de R$ 41,8 milhões, queda de 51% na comparação anual.
Apesar do prejuízo trimestral, o Ebitda ajustado atingiu R$ 149,9 milhões, alta de 8,1% em relação ao 4T24. No consolidado do ano, o indicador somou R$ 588,6 milhões, recuo de 13,5%.
A receita líquida ficou em R$ 357,7 milhões no trimestre, retração de 6,9%. Em 2025, totalizou R$ 1,458 bilhão, queda de 7,7%.
O resultado financeiro permaneceu negativo, somando R$ 46,6 milhões no trimestre e R$ 171,6 milhões no ano. A dívida líquida encerrou dezembro em R$ 853,6 milhões, com alavancagem de 1,45 vez o Ebitda ajustado.
A base de clientes também encolheu. A carteira administrada caiu para 533,2 mil vidas, enquanto o portfólio core terminou o ano com 827,7 mil vidas, retração de 14,6%.
Rede D’Or (RDOR3) cresce em receita, mas ações caem
A Rede D’Or (RDOR3) registrou crescimento de 16% na receita hospitalar na comparação anual, mas o mercado reagiu negativamente. As ações recuaram 4,53% após a divulgação do balanço do 4T25.
O JPMorgan destacou que o lucro por ação ajustado ficou entre 13% e 15% abaixo das projeções do banco, apontando “despesas acima do esperado na SulAmérica devido a provisões para processos cíveis”.
O Bradesco BBI afirmou que tanto o Ebitda quanto o lucro líquido ficaram cerca de 5% abaixo das estimativas da casa. A margem EBITDA hospitalar ficou 1,2 ponto percentual abaixo do esperado.
Já o Itaú BBA observou que, embora a demanda hospitalar e o ticket médio tenham se mantido sólidos, a “maior complexidade dos procedimentos impactou a rentabilidade”.
SulAmérica avança em saúde com melhora operacional
Na direção oposta, a SulAmérica encerrou 2025 com receita operacional líquida de R$ 33,2 bilhões, alta de 10,5%. O Ebitda foi de R$ 2,3 bilhões, avanço de 75,7%, enquanto o Ebitda ajustado alcançou R$ 3,8 bilhões.
A sinistralidade consolidada caiu para 79,5%, redução de 3,2 pontos percentuais em relação a 2024.
“O ano de 2025 foi de muita execução e crescimento de qualidade para a SulAmérica”, afirmou a CEO Raquel Reis. Segundo ela, a companhia encerrou o período “mais eficiente e com ainda mais clareza estratégica”.
A base de beneficiários atingiu 5,9 milhões de vidas, crescimento de 11,3% na comparação anual.
Apesar das diferenças de desempenho, o trimestre evidencia que o setor de saúde segue ajustando margens, base de clientes e estrutura de custos em um ambiente que exige disciplina financeira e foco em eficiência operacional.
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