Oncoclínicas (ONCO3) derrete na Bolsa enquanto crise leva médicos à Rede D’Or

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) seguem no centro da turbulência do setor de saúde e acumulam forte pressão na Bolsa em meio à crise financeira, mudanças na estrutura de poder e incertezas sobre os próximos passos da companhia. Nos últimos 12 meses, os papéis acumulam queda expressiva e continuam operando próximos das mínas históricas, refletindo a deterioração da percepção do mercado sobre a empresa.

A pressão aumentou após a Rede D’Or (RDOR3) afirmar que enfrenta uma procura recorde de médicos oncologistas interessados em migrar para sua estrutura. Segundo o CEO Paulo Moll, o movimento ficou tão intenso que o grupo já encontra dificuldade para alocar novos profissionais, priorizando médicos considerados mais alinhados ao perfil operacional da companhia.

A crise da Oncoclínicas ganhou força após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 1,52 bilhão no quarto trimestre de 2025, ampliando preocupações sobre liquidez, endividamento e sustentabilidade operacional da empresa.

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Além disso, investidores passaram a enxergar um ambiente ainda mais incerto depois das recentes disputas internas envolvendo acionistas e mudanças relevantes no conselho de administração.

Nova disputa pelo controle amplia tensão na Oncoclínicas

A companhia passou por uma mudança significativa em sua estrutura de poder no fim de abril, quando um grupo ligado à Latache Capital e ao fundo Lumen conquistou maioria no conselho de administração.

A nova configuração alterou o equilíbrio interno da empresa e deve influenciar diretamente temas estratégicos, como reorganização financeira, expansão e eventuais medidas para reforço de capital. O conselho passou a ser presidido por Marcelo Curti, ligado ao grupo vencedor da disputa societária.

Do outro lado, a Mak Capital acabou derrotada na tentativa de assumir o controle do colegiado. A consequência imediata foi a suspensão de um aporte estimado em R$ 500 milhões, que estava condicionado à vitória da gestora na assembleia.

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A ausência desse capital aumentou a preocupação do mercado sobre a capacidade da companhia de estabilizar sua operação no curto prazo, especialmente em um momento em que fornecedores, médicos e investidores acompanham com cautela os desdobramentos da crise.

“A companhia precisará avaliar alternativas para financiar seus planos e sustentar a operação em um cenário já considerado desafiador”, destacou análise publicada após a assembleia.

Rede D’Or vê oportunidade em meio à crise

Enquanto a Oncoclínicas tenta reorganizar sua estrutura, concorrentes já observam possíveis oportunidades de consolidação.

A Rede D’Or afirmou que continua avaliando aquisições em oncologia, desde que os ativos tenham preços considerados adequados pela administração. O grupo já possui cerca de 70 unidades ambulatoriais voltadas ao tratamento oncológico em regiões onde opera hospitais próprios, fortalecendo a integração entre diagnóstico, hospital e tratamento especializado.

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A migração de médicos também passou a ser acompanhada de perto pelo mercado, já que a perda de profissionais pode afetar diretamente capacidade operacional, retenção de pacientes e expansão futura da Oncoclínicas.

Além das dúvidas financeiras, a companhia também enfrenta crescente pressão sobre governança e previsibilidade. Recentemente, a empresa suspendeu projeções financeiras, trocou executivos e viu negociações com potenciais parceiros estratégicos perderem força.

No TradingView, os indicadores técnicos da ONCO3 seguem apontando viés de baixa para os papéis, refletindo o ambiente ainda negativo em torno da tese de investimento.

Por enquanto, o mercado acompanha os próximos passos do novo conselho tentando entender se a nova gestão conseguirá reorganizar a companhia ou se a crise da Oncoclínicas continuará pressionando as ações nos próximos meses.

Maíra Telles

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