Nvidia (NVDC34): analista rebaixa ação antes de onda bilionária de IPOs de IA

A Nvidia (NVDC34) voltou a brilhar com a retomada do apetite por tecnologia e inteligência artificial, mas a nova fase da corrida por IA já acende um sinal de cautela. Em relatório, Nícolas Merola, CNPI da EQI Research, afirmou que atualizou a recomendação da companhia de compra para neutro, após uma valorização acumulada de 20% na tese acompanhada pela casa.

O movimento não significa uma piora estrutural da Nvidia. Pelo contrário: parte importante da tese ligada à inteligência artificial se confirmou. O ponto, segundo o analista, é que alguns gatilhos já foram destravados e uma nova onda de IPOs e emissões de empresas de IA pode disputar liquidez com ações já listadas.

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Analista vê tese de IA mais madura

Segundo Merola, em abril o mercado estava muito concentrado nos conflitos do Oriente Médio e havia deixado em segundo plano teses de tecnologia, especialmente as ligadas à inteligência artificial.

Esse cenário mudou. Com a redução do medo em torno dos impactos do conflito, empresas de tecnologia se valorizaram de forma relevante, incluindo a Nvidia. No mesmo período, a comparação com o setor de energia também mudou: enquanto múltiplos de Nvidia e S&P 500 ficaram próximos de 22 vezes e 21 vezes lucro, respectivamente, o múltiplo da Exxon caiu para 14 vezes.

A leitura do relatório é que as revisões de lucro ajudaram a explicar parte dessa diferença. Nas empresas de tecnologia, a revisão positiva de cerca de 16% nos lucros apareceu nos preços das ações. Já no caso da petroleira, a revisão positiva de mais de 22% nas projeções de lucro não teve o mesmo efeito no preço.

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Investimentos em IA passam de US$ 800 bi

O grande pano de fundo continua sendo a infraestrutura de inteligência artificial. De acordo com o relatório, as projeções do mercado para investimentos em infraestrutura de IA neste ano eram de cerca de US$ 600 bilhões. Agora, para 2026, esse número já ultrapassa US$ 800 bilhões e pode chegar a US$ 1 trilhão em 2027.

Esse avanço reforça a relevância da Nvidia dentro da cadeia de tecnologia, semicondutores e capacidade computacional. Ao mesmo tempo, também mostra que a disputa por capital no setor pode ficar mais intensa.

Entre os eventos citados pelo analista estão possíveis IPOs de empresas de inteligência artificial, como OpenAI, Anthropic e SpaceX, além de emissões de ações de companhias já listadas, como o Google, para financiar novos investimentos em infraestrutura de IA.

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O alerta está na liquidez

Para Merola, esses eventos corporativos são positivos para a tese de inteligência artificial, mas podem ter um efeito negativo de curto prazo nos preços das ações. A explicação é simples: grandes ofertas e IPOs precisam captar dinheiro em algum lugar, e parte desses recursos pode sair do próprio mercado acionário, com investidores vendendo posições já existentes para participar das novas ofertas.

É por isso que o relatório trata a Nvidia com mais cautela neste momento. A tese de IA segue relevante, mas o analista avalia que a combinação entre valorização recente, gatilhos já realizados e novas captações bilionárias no setor justifica a mudança para uma postura neutra.

Assim, o rebaixamento não parece ser uma chamada contra a Nvidia, mas um ajuste de temperatura depois de uma forte valorização. Como resume Merola no relatório, por mais que a onda de IPOs e ofertas seja positiva para a tese de IA, esses grandes eventos corporativos podem ter “um efeito negativo de curto prazo nos preços”.

Maíra Telles

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