O Nubank (ROXO34) caiu, voltou ao radar dos investidores e reacendeu uma pergunta clássica da Bolsa: uma empresa excelente vira automaticamente uma boa compra quando o preço recua? Para a Suno, a resposta ainda exige cautela.
Em live do Plantão Ações, a casa fez uma análise completa da tese de investimento da fintech e concluiu que o Nubank é, de fato, um dos melhores modelos de negócio do sistema financeiro brasileiro. O problema está no preço.
A avaliação é que, mesmo após a queda recente, as ações ainda embutem um prêmio relevante em relação ao que já foi comprovado operacionalmente pela companhia. Por isso, a leitura da Suno é que o papel ainda não está em um ponto de entrada atrativo.
Nubank (ROXO34) é banco ou fintech?
Um dos primeiros pontos levantados na análise é que o Nubank não é tecnicamente um banco. A companhia opera como fintech, com diferentes licenças e subsidiárias, incluindo estrutura de pagamentos, financeira, investimentos e seguros.
Na prática, isso traz limitações. O Nubank não consegue atuar plenamente em linhas como consignado INSS, financiamento imobiliário, folha de pagamento de empresas e crédito para companhias maiores. Hoje, sua atuação segue muito concentrada em cartão de crédito e crédito pessoal.
“O Nubank é uma fintech, ele não é um banco”, destacou a análise. “Ele é muito focado em cartão de crédito, até porque não é um banco.” Esse foco, porém, não impediu um crescimento forte. A companhia chegou a 54 milhões de clientes em 2021, quando realizou seu IPO, e depois acelerou a expansão da base, chegando a cerca de 131 milhões de clientes.
O que o Nubank faz bem?
A principal vantagem competitiva do Nubank (ROXO34), segundo a Suno, está na eficiência. Sem agências físicas e com estrutura de custos mais enxuta, a fintech opera com índice de eficiência abaixo de 18%.
Para comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4) trabalha em torno de 45% nesse indicador. Quanto menor o índice, melhor, porque ele mede a relação entre despesas e receita líquida.
A análise também destacou o baixo custo de funding do Nubank. A popularidade das “caixinhas” ajudou a fintech a captar dinheiro de clientes a um custo equivalente a cerca de 88% do CDI, abaixo do que muitos bancos pagam quando precisam se financiar no mercado.
Outro ponto positivo é a rentabilidade. A Suno estima que o Nubank possa maturar com ROE próximo de 30%, um patamar elevado até mesmo quando comparado aos grandes bancos brasileiros.
Além disso, a inadimplência de cerca de 6% não foi tratada como grande preocupação no curto prazo, já que a companhia tem provisões equivalentes a aproximadamente 16% da carteira.
Por que o preço ainda preocupa?
Apesar da qualidade operacional, a Suno vê o valuation como o principal obstáculo para investir em Nubank (ROXO34) agora.
No exercício apresentado, a casa considerou apenas o negócio já validado no Brasil, principalmente cartão de crédito e crédito pessoal, sem incluir possíveis ganhos relevantes com México e Estados Unidos. A projeção assume crescimento até 2029, maturação a partir desse ponto e expansão de longo prazo em linha com o PIB nominal.
Com essas premissas, a análise chegou a um valor justo de cerca de US$ 10 por ação. Na live, foi mencionado que o papel estava sendo negociado perto de US$ 13.
“Mesmo com a queda, o valuation do Nubank ainda é um pouco esticado”, apontou a análise. A comparação com outros bancos reforça esse ponto. Segundo a Suno, Nubank negociava a cerca de 16 vezes lucro para 2026 e 13 vezes lucro para 2027, enquanto nomes como BTG Pactual (BPAC11) e Itaú Unibanco (ITUB4) apareciam com múltiplos mais baixos.
México e Estados Unidos podem mudar a tese?
A expansão internacional é uma das principais opcionalidades do Nubank. No México, a operação já representa cerca de 10% da base de clientes e caminha para a lucratividade. Ainda assim, a Suno avalia que o país deve contribuir para o crescimento, mas não necessariamente mover o ponteiro de forma decisiva.
Isso porque o consumidor mexicano é menos bancarizado, menos endividado e transaciona menos no cartão de crédito do que o brasileiro. Com isso, a receita média por cliente tende a ser menor.
Já os Estados Unidos foram tratados como uma aposta mais assimétrica. O mercado é muito maior, mas também muito diferente. O modelo que funcionou no Brasil, baseado em banco sem tarifas e cartão sem anuidade, não necessariamente tem o mesmo apelo para o consumidor americano.
Nos EUA, o mercado de cartão de crédito é mais ligado a programas de recompensas, benefícios, milhas, hotéis e experiências exclusivas. Isso aumenta o desafio para o Nubank competir com bancos tradicionais e empresas como American Express.
Nubank ou Banco Inter?
A Suno também comparou o Nubank com o Banco Inter (INBR32). A leitura é que o Nubank tem um modelo estruturalmente superior, principalmente pela rentabilidade de cartão de crédito e crédito pessoal.
O Banco Inter (INBR32), por sua vez, tem maior peso em crédito imobiliário, uma linha menos rentável. Por isso, embora negocie a múltiplos mais baixos, a diferença de valuation não necessariamente significa que o Inter esteja mais atrativo.
“O Nubank é muito mais empresa”, avaliou a análise. A Suno ainda destacou que preferiria comprar Nubank a preço justo a comprar Banco Inter apenas por parecer barato. No fim, a leitura é que o Nubank (ROXO34) segue sendo uma empresa de alta qualidade, eficiente, rentável e com marca forte. Mas, para a Suno, qualidade não elimina a necessidade de disciplina de preço, e o papel ainda parece caro diante do que já está comprovado na tese.
