Nubank (ROXO34) cai mais de 6% após resultados do 1T26; veja o que preocupou
O Nubank (ROXO34) divulgou ontem (14) os resultados do primeiro trimestre de 2026, com números abaixo das projeções dos analistas. Nos primeiros três meses do ano, a instituição financeira reportou um um lucro líquido de US$ 871,4 milhões, alta de 41% frente ao mesmo período de 2025.
Apesar da alta na comparação anual, o lucro apresentado pelo Nubank no primeiro trimestre veio abaixo da estimativa de US$ 936 milhões dos analistas consultados pela Bloomberg.
Após a divulgação dos números, as ações do Nubank estão operando em forte queda. Nos Estados Unidos, os papéis negociados na NYSE, sob o ticker NU, recuam 6,42%, a US$ 12,10, por volta das 11h. Já os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), sob o ticker ROXO34, caem 5,30%, a R$ 10,19.
A carteira total de crédito do Nubank avançou 40% na comparação anual, para US$ 37,2 bilhões, impulsionada principalmente pelas operações de cartão de crédito e empréstimos pessoais no Brasil e no México. Ao mesmo tempo, o custo de crédito subiu 72% em relação ao mesmo período do ano passado, com aumento das provisões para perdas.
Este fator foi justamente uma das principais preocupações do mercado. Isso porque os investidores passaram a questionar se o banco conseguirá sustentar o ritmo de crescimento das operações de crédito, especialmente em linhas mais arriscadas, como cartão e empréstimo pessoal, sem enfrentar uma deterioração mais relevante da inadimplência.
Por outro lado, o Nubank voltou a destacar o avanço operacional da companhia. A instituição encerrou março com mais de 135 milhões de clientes globalmente, após adicionar cerca de 4 milhões de usuários no trimestre. No Brasil, o banco ultrapassou 115 milhões de clientes, enquanto a operação no México atingiu 15 milhões e alcançou break-even.
Itaú BBA mantém visão positiva sobre ações do Nubank (ROXO34)
Na avaliação do Itaú BBA, os resultados do Nubank vieram “positivos no líquido”, apesar da reação negativa do mercado. O banco manteve recomendação outperform, equivalente à compra, para as ações negociadas em Nova York e reiterou preço-alvo de US$ 20 para 2026.
Os analistas destacaram que o Nubank apresentou receitas fortes no trimestre, impulsionadas pela expansão da carteira de crédito e pela melhora das margens financeiras.
Apesar disso, o Itaú BBA reconheceu que o aumento das provisões pressionou o resultado. As despesas com provisões somaram US$ 1,8 bilhão no trimestre, alta de 33% frente ao trimestre anterior.
Ainda assim, o banco argumenta que não houve deterioração relevante da qualidade da carteira. Segundo o relatório, parte importante do avanço das provisões está ligada à sazonalidade típica do primeiro trimestre e à expansão da carteira para linhas de maior retorno e risco, como cartão de crédito e empréstimos pessoais.
Para o Itaú BBA, o Nubank (ROXO34) segue bem posicionado para manter crescimento elevado nos próximos anos, apoiado pela expansão internacional, pela monetização da base de clientes e pelos ganhos de eficiência operacional. O banco destacou ainda que as ações negociam atualmente a múltiplos considerados baixos para o histórico da companhia, em torno de 16 vezes lucro estimado para 2026 e 13 vezes para 2027.