Setor de maquininhas, com Cielo (CIEL3) e Getnet (GETT11), perde R$ 160 bi na Bolsa

Setor de maquininhas, com Cielo (CIEL3) e Getnet (GETT11), perde R$ 160 bi na Bolsa
Cielo - Fonte: Divulgação

As empresas de maquininhas de cartões — como Cielo (CIEL3) e Getnet (GETT11) — não tiveram um bom ano na Bolsa de Valores brasileira: o setor perdeu quase R$ 160 bilhões em valor de mercado, de acordo com dados compilados pelo Broadcast. Entre os motivos, está o uso do Pix é visto como um dos maiores obstáculos, além do aumento dos juros e a alta competitividade.

A realidade do mercado é bem diferente da vista no começo dos anos 2010, quando o mercado era dominado pela Rede, do Itaú (ITUB4), e a Cielo (CIEL3). Hoje, são mais de 30 credenciadoras e 200 subcredenciadoras disputando a preferência de lojistas e clientes – que, desde o ano passado, ganharam o Pix como opção mais barata de transferências e pagamentos.

Já o juro afeta esses negócios porque os custos de operações como adiantamento de recebíveis, indexados ao CDI, variam com a taxa básica de juros, que subiu quase 6 pontos porcentuais desde o início do ano. “Esse talvez seja o maior risco para as margens no curto prazo e vai ser maior para as empresas que dependem mais da receita financeira“, afirma Erick Rodrigues, analista da agência de classificação de risco Moody’s.

Efeito Pix rouba espaço das maquininhas 

Analistas acreditam que, com as transformações das formas de pagar nos últimos anos, as maquininhas perderam terreno para soluções que não dependem delas. Para o presidente da consultoria especializada em varejo financeiro Boanerges & Cia, Boanerges Ramos Freire, oferecer serviço de recebimento de cartões deixou de ser diferencial.

E a situação só deve se agravar. À medida que mais funções forem incorporadas à ferramenta criada pelo BC, como a possibilidade de fazer compras parceladas, maior será o baque sobre as adquirentes. “Estruturalmente, as credenciadoras estão em uma descida da ladeira, que estava sendo mais suave, mas agora deu uma acelerada – e o Pix é um dos elementos que apressam essa descida”, disse Freire.

Todas as empresas do ramo perderam valor de mercado, mas o baque foi maior para a Stone. A empresa, que viu suas ações caírem cerca de 80%, enfrenta a desconfiança com a retomada de seu negócio de crédito e com os desafios de integrar a Linx, comprada no ano passado.

Procurada, a Stone manteve o posicionamento da época da divulgação do balanço. “Devemos começar (a voltar a conceder empréstimos) neste trimestre”, disse o CEO da companhia, Thiago Piau. Executivos da Stone afirmaram ainda que a Linx deve começar a apresentar resultados positivos em breve.

Última cotação da Cielo e Getnet

As ações da Cielo encerraram o pregão de hoje com alta de 1.88%, ao preço de R$ 2,17. Porém, os papéis da companhia desabam em 2021, em queda livre de 44,10%. As ações da Getnet, por sua vez, fecharam em baixa de 1.37%, ao preço de R$ 3,60. A empresa estreou na Bolsa em outubro e teve um início bastante conturbado, caindo 53.24% desde então.

(Com informações da Agência Estado)

Bruno Galvão

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