Com alta da inflação, Magazine Luiza (MGLU3) e outras varejistas têm salvação em 2022? GS explica

Com alta da inflação, Magazine Luiza (MGLU3) e outras varejistas têm salvação em 2022? GS explica
Boia. Foto: Pixabay

A perspectiva para as empresas do varejo, como Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3), pode não ser tão positiva para 2022 com a pressão inflacionária afetando a renda mensal do brasileiro, o que limita o poder de compra. Mas analistas do Goldman Sachs avaliam que o novo programa, o Auxílio Brasil, pode se tornar um apoio à renda das famílias brasileiras e gerar um movimento positivo no setor, como ocorreu com o Auxílio Emergencial.


A inflação de alimentos, energia elétrica e combustíveis corresponde a 30% da renda mensal do brasileiro, segundo a pesquisa do IBGE. O Goldman, no entanto, acredita que, para as famílias de menor renda, esse peso está acima dos 50%. Portanto, enquanto as pressões inflacionárias perdurarem em 2022, persistirão as perspectivas de fraca demanda para o Magazine Luiza e outras varejistas. O Auxílio Brasil pode render algum alento à renda das famílias, estima o relatório.

Mas os analistas ponderam: “O Auxílio Brasil pode dar algum suporte, embora observamos que esses beneficiários também estão experimentando uma inflação maior do que o consumidor em geral, devido à composição de suas cestas médias.”

Com isso, a instituição classificou compra para o Magalu, venda para Via e neutra para Natura (NTCO3). Entenda as perspectivas do Goldman para as varejistas em 2022:

Magazine Luiza, Via e Americanas

Apesar das perspectivas incertas para a demanda neste ano, o Goldman mantém a recomenda compra do Magazine Luiza, com o preço-alvo de R$ 12 . Na análise da instituição, é improvável que os múltiplos retornem aos picos históricos, mas acreditam que o pior já passou.

Por sua vez, a Via teve recomendação de venda, com o novo preço-alvo de R$ 4,70. Na análise foi incorporado, além das incertezas deste ano, o impacto negativo das despesas judiciais adicionais anunciadas no resultado do terceiro trimestre do ano passado.

Já a Americanas (AMER3) permaneceu com a recomendação neutra, mas teve seu preço-alvo rebaixado, passando de R$ 39 para R$ 36,80. A redução é resultado de um aumento de capex após a incorporação da Hortifruti e maior dívida líquida.

“Ajustamos nossas estimativas para incorporar um cenário de demanda mais desafiadora para duráveis e menor crescimento do comércio eletrônico, dado o ambiente altamente competitivo”, explicam os analistas.

Assaí, GPA e Raia Drograsil

No setor de alimentos, o Goldman manteve a recomendação de compra do Assaí (ASAI3), com o preço-alvo de R$ 22: “Nós vemos Assaí como uma história de crescimento idiossincrático com perfil de demanda relativamente defensivo no contexto de um macro mais fraco e de uma inflação de alimentos alta.”

Já a recomendação para o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) é neutra e o valor do preço-alvo foi rebaixado de R$ 29 para R$ 25. A redução ocorre após as mudanças nas premissas dos analistas de capital de giro após a venda do Extra para o Assaí.

Para a Raia Drogasil (RADL3) a recomendação permaneceu de compra com o valor de R$ 33 por ação.

“Em nossa visão, a Raia Drogasil oferece um algoritmo de crescimento atraente baseado na consolidação de compartilhamento orgânico e ventos favoráveis estruturais, consistência ao longo do ciclo em margens e retornos e um perfil de demanda relativamente mais defensivo.”

Lojas Renner, Grupo SBF e Natura

Apesar de reconhecer que as pressões inflacionárias e os investimentos em digitalização provavelmente continuarão a pesar nas margens, o Goldman permanece com a recomendação de compra para a Lojas Renner (LREN3), com o preço-alvo de R$ 37.

O diferencial da varejista de roupas está na capacidade da cadeia de suprimentos, melhorias operacionais em preços e a alocação de estoque que deve permitir que ela gere ganhos de participação desproporcionais.

Já o dono da Centauro, o Grupo SBF (SBFG3), teve a recomendação neutra, com o preço-alvo de R$ 29, o que representa uma redução de 12% do preço antigo. A redução foi causada, segundo os analistas, por uma revisão de múltiplo alvo após atualizar o conjunto de pares para níveis de negociação atuais.

Por sua vez, a Natura (NTCO3) teve sua recomendação ajustada para neutra devido às pressões de custo mais altas, principalmente de matérias-primas com a inflação e falta de suprimentos. Dessa forma, o preço-alvo também foi rebaixado, passando de R$ 31 para R$ 27%.

Portanto, na análise do Goldman Sachs, apesar da escalada da inflação que limita o poder de compra do brasileiro, não são todas as varejistas que devem ser prejudicadas, caso do Magazine Luiza, que pode ser beneficiada com o Auxílio Brasil.

Poliana Santos

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