Luiz Barsi completa 51 anos como acionista do Banco do Brasil (BBAS3); relembre a tese do maior investidor pessoa física do país

Desde a década de 1970, Luiz Barsi é acionista do Banco do Brasil (BBAS3). Da mesma época, datam os primeiros passos do homem que viria se tornar um bilionário e o maior investidor pessoa física da bolsa de valores brasileira.

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Apelidado como o Warren Buffett brasileiro, Barsi é um ávido seguidor da filosofia de Value Investing, o “investimento em valor”, que consiste em uma perspectiva de longo prazo focada na identificação de boas empresas, consolidadas e capazes de gerar lucros. O objetivo: atingir uma independência financeira e viver de renda.

Além do apelido associado ao investidor americano Buffett, Barsi também é conhecido como o “Rei dos Dividendos“. O apelido se dá principalmente graças ao patrimônio sólido e sustentável que construiu no mercado financeiro brasileiro.

Foi seguindo sua tese de investimentos que Barsi atualmente recebe cerca de R$ 1 milhão de dividendos por dia, segundo já declarou à imprensa, e, aos 84 anos de idade, tem um legado no mercado financeiro.

Estratégia de investimentos de Barsi e BEST

A estratégia de Barsi é direta: comprar 1.000 ações da mesma empresa todos os meses durante 30 anos. Segundo ele, a partir do 8º ano, os dividendos recebidos seriam suficientes para reinvestir, sem precisar adicionar dinheiro próprio.

Após ter alcançado esse objetivo com uma empresa e continuar expandindo para outras companhias, Barsi passou a aplicar técnicas de reinvestimento. Para isso, utilizou os recursos que recebia de dividendos para comprar mais ações das empresas selecionadas, aumentando sua posição nelas.

Após dez anos seguindo a técnica com disciplina e paciência, Luiz Barsi se aposentou.

Uma das análises mais interessantes que o megainvestidor se apoiou e até hoje se mostra relevante foi o Método BEST (ou BESST). O nome é uma sigla para Bancos, Energia, Saneamento, Seguros e Telecom, setores que o investidor acredita terem ações com grande potencial.

Para um país, os quatro setores são fundamentais e, por isso, contam com vantagens estratégicas e boa demanda. Até mesmo em crises, como na pandemia da Covid-19, as companhias desses setores mostraram resiliência e sobreviveram a todos os efeitos nocivos do momento.

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Carteira de investimentos de Barsi: Banco do Brasil (BBAS3), Unipar (UNIP6) e Taurus (TASA4)

A carteira de Luiz Barsi tem algumas ações bem conhecidas. Uma delas é o Banco do Brasil (BBAS3), cujas primeiras ações ele adquiriu por volta dos anos 1970, a R$ 0,60 (hoje são negociados acima de R$ 50,00). Sua primeira conta de ações do banco ocorreu em 1972, segundo contou à XP. Sua confiança na instituição é baseada em sua resistência histórica, incluindo a crise dos anos 1990 quando muitos bancos privados quebraram, mas o BB conseguiu permaneceu forte.

Em 2023, durante um momento de transição política e de gestão e a mudança na presidência para Tarciana Medeiros, o BBAS3 manteve o payout em 40%, divulgou um calendário de pagamento de proventos e agradou os investidores com dividendos volumosos. Nos últimos 12 meses, as ações de BBAS3 somaram um crescimento de 78,41%, um dividend yield (DY) de 8,53% e pagou R$ 4,5754 em dividendos por ação.

Outro acerto de Barsi foi a Taurus (TASA4): ele comprou os papeis quando as ações custavam centavos e surfou nos dividendos até 2013. Mesmo após um processo de reestruturação, Barsi seguiu acreditando na companhia. Em 2023, a Taurus pagou R$ 1,3956 por ação e acumulou um DY de 9,35%. Hoje o ticker gira em torno dos R$ 14,92, acumulando uma alta de 26,44% no ano.

Por fim, uma das maiores aquisições de Barsi, e talvez a mais polêmica, foi a Unipar Carbocloro (UNIP6). Comprando ações por R$ 0,25, o valor disparou para R$ 100 em uma década e figura como a maior posição de sua carteira, com 40% do portfólio, contou o investidor ao Infomoney em 2022.

Em sua biografia “O rei dos dividendos”, Barsi conta que foi a Unipar quem o levou a conquistar seu segundo bilhão de reais.

Ele é acionista da companhia desde 2006. A Unipar passou por uma reestruturação, sofreu na crise do subprime de 2008, até reduzir a produção a cloro e soda apenas. Nesse mesmo período, as ações UNIP6 beiravam entre os R$ 0,25 e R$ 0,40. Barsi continuou comprando, chegando a acumular 10% do capital da empresa. Atualmente, a participação de Barsi na Unipar é de 13,9% nas ações, segundo o site de Relações com Investidores da companhia.

Em 2022, Barsi passou por investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sob acusações de suposta responsabilidade no uso de informação privilegiada como administrador da Unipar (UNIP6). Ele afirma que nada de errado foi praticado.

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Camila Paim

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